- O relatório da United Nations University Institute for Water, Environment and Health (UNU-INWEH) aponta que a água doce está sendo consumida mais rápido do que a natureza repõe, empurrando várias regiões para a “falência hídrica”.
- O estudo compara o sistema hidrológico à economia doméstica: rios, chuvas e neve são a renda anual; geleiras, áreas alagadas e aquíferos são poupança de longo prazo; muitas regiões retiraram demais desses recursos.
- Entre os impactos, cerca de 70% de grandes aquíferos mostram queda no longo prazo e 30% da massa de geleiras foi perdida desde os anos 1970; algumas montanhas devem perder as geleiras nas próximas décadas.
- A agricultura responde por cerca de setenta por cento da retirada de água doce e mais da metade das terras agrícolas está degradada, o que facilita a perda de umidade no solo; secas agravam a escassez.
- Quais são as consequências: saúde pública debilitada, instabilidade política e migração interna em áreas como Africa Subsaariana, Sul da Ásia e América Latina; cerca de quatro bilhões de pessoas passam por severa escassez de água por pelo menos um mês por ano.
O mundo está consumindo água doce mais rápido do que a natureza consegue repor, aponta um novo relatório do UNU-INWEH, o Instituto das Nações Unidas para Água, Ambiente e Saúde. O estudo alerta para o que chama de “bankruptcy” hídrico global, uma crise que já afeta regiões inteiras.
Segundo o relatório, muitos sistemas hídricos já operam além de sua capacidade por décadas. A maior parte das bacias hidrográficas, a depender da região, enfrenta queda contínua de reservas, com impactos que vão desde a disponibilidade de água até a qualidade dos recursos.
A pesquisa usa a comparação com as finanças de uma família: rios, chuvas e neve representam renda anual, enquanto geleiras, áreas úmidas e here aquifer são o dinheiro guardado a longo prazo. Quando há superexposição aos saques, ocorre a chamada água em ruptura.
Dados-chave
A authors apontam que cerca de 70% das grandes aqüíferos mostram declínio de longo prazo, e quase 30% da massa glacial desapareceu desde a década de 1970, em função do aquecimento global. Montanhas de latitudes baixas a médias podem perder seus glaciares, reduzindo o reabastecimento dos rios que os alimentam.
A retirada de água para agricultura é responsável por aproximadamente 70% do consumo de água doce. Além disso, mais da metade das áreas agrícolas globais apresenta algum grau de degradação, o que dificulta a retenção de umidade no solo.
O relatório ressalta que a escassez de água provoca impactos amplos, incluindo riscos à saúde pública, instabilidade política e aumento dos preços de alimentos. A crise hídrica itera quando a governança é fraca, a desigualdade se acentua e conflitos emergem em contextos de escassez.
Mais de 4 bilhões de pessoas enfrentam seca severa por pelo menos um mês a cada ano. Segundo os autores, as comunidades mais pobres são as primeiras e mais fortemente atingidas pelos efeitos da água limitada, da poluição e da má gestão.
Apesar do tom alarmista, o estudo afirma não representar um quadro sem saída. A adoção de medidas firmes para reduzir a extração, melhorar a governança e recuperar ecossistemas é apresentada como caminho para proteger pessoas, economias e ecossistemas, com ações que reduzam o déficit hídrico ao longo do tempo.
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