- Estudo internacional PURE, com cerca de 200 mil pessoas em 21 países, mostrou que 40% dos infartos ocorrem em indivíduos de baixo risco conforme modelos tradicionais de avaliação.
- Esses pacientes costumam não receber acompanhamento intensivo nem entrar nas estratégias de prevenção, evidenciando falhas nas ferramentas atuais de avaliação de risco.
- O trabalho aponta que fatores de estilo de vida, alimentação e o acesso a diagnóstico e tratamento influenciam a sobrevivência; regiões com menos renda registram mais eventos e mortalidade.
- Dieta e atividade física aparecem como pilares de proteção: carboidratos em excesso elevam a mortalidade; consumo de frutas, legumes e potássio reduzem o risco; hipertensão permanece como principal fator de risco.
- Mesmo com tratamentos eficazes, a prevenção após o evento é subutilizada; cerca de 12 fatores explicam cerca de 70% dos eventos globais, reforçando a importância da prática de um estilo de vida saudável e da implementação do conhecimento.
Um estudo internacional conhecido pela sigla PURE revelou que 40% dos infartos acontecem em pessoas com baixo risco segundo as avaliações tradicionais. A informação aponta falhas nos modelos usados na prática clínica.
O conjunto de dados mostra que esses casos ocorrem com frequência fora do radar de médicos e políticas de saúde. A pesquisa envolveu cerca de 200 mil pessoas em 21 países, incluindo o Brasil, ao longo de várias regiões.
O PURE é uma coorte prospectiva que compara fatores de risco entre ambientes urbanos e rurais, bem como diferentes níveis de renda. O objetivo é entender os determinantes de adoecimento cardiovascular.
O que significam os números
Estudos complementares indicam que nove fatores explicam 90% do risco de infarto e de AVC, segundo o InterHeart e o InterStroke. Tabagismo, hipertensão, dislipidemia, obesidade e sedentarismo aparecem entre os principais.
No Brasil, dislipidemia, idade abdominal, tabagismo, hipertensão e estresse emocional aparecem como fatores relevantes. Isso explica por que eventos podem ocorrer entre pessoas com baixo risco declarado.
A pesquisa também aponta o paradoxo do risco: países com maior renda registram menos eventos graves, mas maior acesso ao diagnóstico. Regiões de menor renda apresentam mais infartos e mortes por doenças cardiovasculares.
Alimentação, atividade e controle
Dietas com carboidratos em excesso elevam a mortalidade, enquanto frutas, legumes e verduras reduzem o risco. Proteínas associam-se a menor mortalidade; gordura animal mostrou efeito neutro, e gordura trans é prejudicial.
O sal, potássio e disponibilidade de alimentos in natura influenciam o risco cardiovascular. Atividade física aeróbica reduz infartos e AVCs; força muscular aparece como marcador de proteção.
A hipertensão arterial permanece como principal fator de risco global. No Brasil, aproximadamente 45% dos adultos são hipertensos, com controle adequado em apenas parte da população.
Desafios de implementação
Mesmo após eventos cardiovasculares, a prevenção secundária é subutilizada. No Brasil, cerca de 20% dos pacientes pós-infarto não usam medicação preventiva, e 30% dos que sofreram AVC não tomam preventivos.
No conjunto, cerca de 12 fatores respondem por cerca de 70% dos eventos cardiovasculares globais. A mensagem é que o estilo de vida tem papel central na prevenção e na qualidade de vida.
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