- Em abril de 2024, cientistas da Nasa encontraram a base Camp Century a cerca de 30 metros de profundidade sob a Groenlândia, usando radar de geleira.
- Camp Century foi construída em 1959 debaixo do gelo, como parte do plano Iceworm, que buscava usar a instalação para esconder mísseis nucleares.
- O projeto previa escavação de 130 mil quilômetros de túneis e armazenamento de 600 mísseis com alcance até a Rússia, funcionando como uma cidade subterrânea.
- Na prática, a base teve 21 túneis com cerca de três quilômetros de extensão, operou um reator nuclear portátil e foi abandonada em 1967; nenhum míssel foi ocultado.
- Resíduos químicos, água contaminada e combustível foram deixados na área; com o derretimento do gelo, esses resíduos estão soterrados e podem representar risco ambiental, além de afetar o nível do mar.
Em abril de 2024, pesquisadores da Nasa utilizaram um equipamento de radar para mapear camadas internas de uma geleira na Groenlândia. A imagem revelou, a cerca de 30 metros de profundidade, uma estrutura que parecia uma cidade sob o gelo: a base Camp Century, abandonada desde a Guerra Fria.
A Camp Century foi construída em 1959, não acima do gelo, masbaixo dele, por meio de túneis escavados. Na época, o governo dos EUA divulgou que serviria como centro de pesquisas. Contudo, o que veio a público mais tarde foi o envolvimento no Projeto Iceworm, com a ideia de esconder e lançar mísseis nucleares perto da União Soviética.
O projeto previa uma infraestrutura monumental: 130 mil quilômetros de túneis e espaço para 600 mísseis, concebidos para proteger a base da detecção na superfície e abrigar milhares de pessoas.
As operações reais, no entanto, ficaram muito aquém do plano. Camp Century consistiu em 21 túneis com cerca de 3 quilômetros de extensão, além de um reator nuclear portátil. A instalação foi abandonada em 1967, depois de revelar impactos ambientais significativos.
Descoberta e histórico
Com o abandono, resíduos químicos, água contaminada e combustível ficaram no local. A localização exata permaneceu em segredo por décadas, até ser redescoberta pela Nasa em 2024 durante novos levantamentos.
Riscos e impactos ambientais
A neve em camadas e o derretimento gradual elevam o risco de exposição aos resíduos sob o gelo. A equipe de pesquisa observa que o derretimento acelerado pode liberar contaminantes e contribuir, indiretamente, para alterações no nível do mar.
Tecnologia e próximos passos
A análise por radar permite visualizar estruturas sob o gelo com maior precisão. Pesquisadores avaliam como monitorar a geleira para entender impactos ambientais e climáticos, bem como o comportamento dos resíduos subterrâneos ao longo do tempo.
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