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O que é preciso para proteger a Amazônia, diz Virgílio Viana

Viana afirma que proteger a Amazônia depende de colocar comunidades locais no centro das ações, com planos de adaptação e custo estimado em 4 bilhões de dólares

An Indigenous Tikuna man in the Amazon Rainforest. Image by Rhett A. Butler/Mongabay.
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  • Virgílio Viana, ex-secretário de meio ambiente do Amazonas, comanda a Fundação para a Sustentabilidade da Amazônia (FAS) e defende que comunidades locais devem receber prioridade na conservação.
  • Ele diz que partes da Amazônia já passaram de um ponto crítico, com derretimento de glaciares nas headwaters andinas, secas mais longas, incêndios e aumento do crime organizado que fragiliza a governança.
  • A FAS lançou a “Hope Boat”, que levou mais de duzentos líderes comunitários, cientistas e artistas a Belém durante a COP trinta; de mais de seiscentas oficinas surgiram noventa e nove planos de adaptação.
  • O valor estimado para implementar as propostas é de cerca de quatro bilhões de dólares.
  • Em perspectiva de vinte anos, Viana imagina a Amazônia com zero desmatamento, paisagens restauradas, governança local fortalecida e apoio global a soluções comprovadas.

Virgilio Viana compartilha a visão de proteger a Amazônia a partir de quem vive nela. A primeira lembrança vem de uma viagem aos 16 anos, por trilhas de terra e rios, que acendeu um recado definitivo: a floresta precisa valer mais em pé do que ser cortada.

Ele seguiu na formação acadêmica, com doutorado na região, e acabou deixando uma carreira universitária para enfrentar a governança do forestal. Em Amazonas, enfrentou o embate entre política, disputas de terra e a necessidade de explicar por que a conservação importa para quem já está dentro do ecossistema.

Hoje, Viana lidera a Fundação para a Sustentabilidade da Amazônia, a FAS, centrada na premissa de que moradores locais vêm em primeiro lugar. Povos indígenas e comunidades tradicionais estão no centro de sua defesa de que a conservação sem eles tende a falhar.

Desafios atuais

Alguns trechos da Amazônia seriam intrinsecamente frágeis, avalia o pesquisador. O degelo nos topos andinos já é visto como ponto de não retorno, enquanto o sul registra sazonalidades mais longas de seca. Incêndios, impulsionados pelo calor, ameaçam ampliar impactos.

Além disso, a atuação criminosa organizada já compromete a governança em áreas específicas, adicionando um risco político aos problemas ambientais. Mesmo diante disso, Viana não aposta no fatalismo.

Nesse contexto, ele propõe uma imagem de remo: governo, sociedade civil e comunidades devem remar na mesma direção. O navio pode estar acusando água, mas não está perdido, afirma.

A resposta prática da FAS

Para mobilizar ações, a fundação lançou a Balsa da Esperança, que levou mais de 200 lideranças locais, cientistas e artistas a Belém, durante a COP30. Em mais de 600 oficinas comunitárias, nasceram 99 planos de adaptação.

O montante estimado para ampliar ações é de cerca de 4 bilhões de dólares, segundo Viana. A iniciativa prioriza projetos de justiça climática com impacto local, conectando saberes tradicionais a pesquisas e políticas públicas.

Olhar de longo prazo

Viana projeta, em 20 anos, uma Amazônia com zero desmatamento, paisagens restauradas e governança mais fortalecida. Ele vê a participação global como essencial para sustentar soluções comprovadas, ainda que não haja garantia de vitória definitiva.

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