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Pássaros-guia aprendem dialetos humanos locais

Na reserva Niassa, caçadores de mel usam chamadas distintas para atrair os pássaros, que aprendem dialetos locais e continuam a guiar os ninhos de abelhas

A honey-hunter from northern Mozambique, with a greater honeyguide. Image courtesy of David Lloyd-Jones and Dominic Cram.
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  • Em Mozambique, caçadores de mel da região norte usam sinais vocais para guiar aves-douradas (greater honeyguides) até ninhos de abelhas selvagens.
  • A pesquisa ocorreu na Reserva Especial Niassa, que tem cerca de 42 mil quilômetros quadrados, onde honeyguides ajudam caçadores a localizar ninhos.
  • Os caçadores utilizam três chamadas distintas para atrair as aves: duas são de recrutamento e uma é de coordenação durante a caçada.
  • Foram analisadas gravações de 131 caçadores de 13 vilarejos; as chamadas variam entre vilarejos e aumentam com a distância entre comunidades, similar a dialetos humanos.
  • Mesmo com diferenças regionais nas chamadas, a disposição dos animais em cooperar não foi comprometida, sugerindo que as aves aprendem os dialetos locais para manter a parceria.

O que aconteceu: pesquisadores revelam que aves guia de abelhas aprendem dialetos humanos locais. No norte de Moçambique, caçadores de mel interagem com “greater honeyguides” para localizar ninhos de abelhas, fortalecendo uma cooperação antiga.

Quem está envolvido: estudo de Jessica van der Wal, com 131 caçadores de mel de 13 aldeias da Reserva Especial Niassa, que abrange cerca de 42 mil km². As aves ajudam a localizar ninhos; os caçadores utilizam ferramentas para extrair o mel.

Quando e onde: pesquisa realizada na Niassa, no norte de Moçambique, área de manejo tradicional. A região abriga a parceria entre caçadores e maior honeyguide (*Indicator indicator*), aves marrons que guiam aos ninhos.

Como funciona: os caçadores usam três chamadas distintas para atrair as aves: duas para recrutamento e uma para coordenação durante a coleta. As mensagens combinam assobios agudos, cigarros baixos e pigarras, com variação de sussurros.

Variação regional das chamadas: gravações de 131 caçadores mostraram variações entre aldeias; as diferenças aumentam com a distância, lembrando dialetos humanos. Ao se mudarem de vila, alguns caçadores adotam a chamada local.

Adaptação das aves: segundo van der Wal, se uma vila usa uma chamada diferente, é provável que seja a que maximize a colheita de mel. Em viagem de Mbamba a Gomba, 100 km, houve surpresa com novas técnicas de manejo usados pelos caçadores de Gomba.

Cooperação preservada: apesar da variação, a disposição das honeyguides em cooperar não se alterou. A área de alcance limitado das aves sugere que encontros com caçadores ocorrem dentro de um ou dois locais próximos.

Contribuição científica: a pesquisa sugere que sinais locais podem evoluir ao longo de gerações, mantendo a interação estável entre espécies. Especialista externa reconhece o estudo como exemplo raro de mutualismo humano-animal.

Perspectiva de especialistas: a professora Judith Bronstein, da Universidade do Arizona, elogia o trabalho pela demonstração de flexibilidade aprendida aliada a traços evoluídos. A dinâmica, segundo ela, explica como o mutualismo persiste em contextos culturais e ambientais diversos.

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