- Houve vazamento de cerca de dezoito mil litros de fluido de perfuração a aproximadamente dois mil e setecentos metros de profundidade, perto do assoalho marinho, menos de dois meses após o início das operações no bloco FZA-M-59.
- O bloco, licenciado recentemente pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recurso Naturais Renováveis, fica na Bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial.
- O episódio evidencia lacunas de conhecimento sobre a região, como o mapeamento do fundo do mar, essencial para avaliar impactos ambientais da exploração.
- O cenário envolve a complexidade da dinâmica marítima em águas ultraprofundas e potenciais riscos de deslizamentos de sedimentos no talude continental, que podem afetar a perfuração.
- Especialistas destacam a necessidade de ampliar o conhecimento técnico da região para prevenir acidentes semelhantes, ainda com o monitoramento ambiental em curso.
Ontem ocorreu um vazamento de fluido de perfuração na Bacia da Foz do Amazonas, em bloco de exploração da Margem Equatorial. O incidente aconteceu pouco mais de dois meses após o início das operações de perfuração no bloco FZA-M-59, com a empresa responsável apontando que o volume derramado foi de cerca de 18 mil litros. O local fica a quase 3 mil metros de profundidade, em área ultraprofundas.
A operação envolve a Petrobras e está licenciada pelo IBAMA, que monitora a atividade na região. O vazamento, registrado a cerca de 2.700 metros de profundidade, ocorreu próximo ao assoalho marinho, em área de talude continental, onde há maior risco de instabilidades e circulação de sedimentos. A hipótese inicial aponta falha mecânica ou hidráulica associada às pressões da perfuração.
Especialistas destacam que a região apresenta desafios complexos devido à dinâmica marinha e à profundidade. A combinação desses fatores dificulta o controle da operação e aumenta a probabilidade de incidentes, ainda que o evento tenha sido classificado como de pequena escala ambiental até o momento.
Lacunas de conhecimento e próximos passos
A falta de mapeamento detalhado do fundo na Foz do Amazonas é apontada como fator que dificulta a avaliação de riscos. Pesquisadores defendem maior investimento em estudos da geologia marinha local para embasar decisões técnicas e ambientais. A Petrobras tem histórico de operações nesse tipo de ambiente, mas ressalta a necessidade de ampliar o conhecimento regional.
Especialistas também enfatizam a importância de monitorar impactos a longo prazo e reforçam que acidentes, por menores que pareçam, evidenciam fragilidades na avaliação de riscos ambientais. O episódio reforça a urgência de dados robustos sobre fundo, correntes e sedimentos na região.
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