- Em 2025, houve ao menos 10.410 casos graves de SRAG por coronavírus e cerca de 1,7 mil mortes, segundo a Infogripe/Fiocruz; os números referem-se a casos com teste laboratorial confirmado.
- Foram distribuídas 21,9 milhões de doses de vacina contra a covid-19, mas apenas 8 milhões foram aplicadas, ou seja, menos de quatro por cada dez doses distribuídas.
- A vacinação infantil passou a integrar o calendário básico desde 2024; em 2025, foram aplicadas 2 milhões de doses em crianças, mas o índice de cobertura ainda não foi detalhado, com apenas 3,49% do público-alvo com menos de 1 ano vacinado em 2025 (dados completos dependem de consolidação por coorte).
- O risco de novas ondas persiste devido à possibilidade de surgimento de variantes; especialistas ressaltam que manter a vacinação em dia é essencial para grupos de maior risco.
- Crianças abaixo de 2 anos são o grupo mais vulnerável entre os não idosos, com quase 20,5 mil casos de SRAG e 801 mortes entre 2020 e 2025; a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P) registrou cerca de 2,1 mil casos e 142 óbitos entre 2020 e 2023.
A vacinação contra a covid-19, iniciada há cinco anos no Brasil, ajudou a encerrar a pandemia, mas a doença segue presente em patamares baixos. especialistas alertam que é essencial manter a imunização da população que não foi vacinada ou tem maior risco de quadros graves.
Em 2025, foram distribuídas 21,9 milhões de doses pelo Ministério da Saúde aos estados e municípios, porém apenas 8 milhões foram aplicadas. A cobertura permanece aquém do ideal, com o repasse de vacinas abaixo da taxa de uso.
Dados da plataforma Infogripe da Fiocruz apontam que, em 2025, pelo menos 10.410 pessoas adoeceram com gravidade após infecção por coronavírus, resultando em cerca de 1,7 mil mortes. Os números consideram apenas casos com confirmação laboratorial.
A coordenação do Infogripe enfatiza que o coronavírus continua entre os vírus respiratórios mais perigosos. A pesquisadora Tatiana Portella ressalta que a covid-19 não apresenta sazonalidade estável, como a influenza, o que aumenta a incerteza sobre novos surtos.
Cobertura vacinal e riscos
O painel público de vacinação mostra que apenas 3,49% do público-alvo menor de 1 ano foi vacinado em 2025. O Ministério da Saúde informou que esse dado subestima a cobertura real, já que o público inclui crianças até cinco anos, gestantes e idosos, e que há consolidação de dados por coorte etária em andamento.
Mesmo com a situação de emergência sanitária vigente, a cobertura não atingiu a meta de 90%. A vacinação infantil começou em 2022, e até fevereiro de 2024 a cobertura entre crianças de 5 a 11 anos ficou em 55,9%, enquanto 23% das crianças de 3 e 4 anos tinham sido vacinadas.
A diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações sustenta que a baixa percepção de risco dificulta o aumento das coberturas. Ela destaca que, quando a vacina chegou às crianças, a sensação de risco diminuiu, abrindo espaço para resistência a imunizantes.
Vacinação infantil e saúde pública
O risco da covid-19 permanece elevado para crianças, especialmente aquelas com menos de 2 anos. Dados da Infogripe indicam quase 20,5 mil casos de SRAG nessa faixa etária entre 2020 e 2025, com 801 mortes. Em 2025 houve 55 óbitos e 2.440 internações nesse grupo.
Há também a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P), que pode levar à morte em torno de 7% dos casos. Entre 2020 e 2023, o Brasil registrou cerca de 2,1 mil casos e 142 óbitos pela SIM-P. Estudos internacionais apontam association com maior incidência de doenças cardíacas após infecção.
A vacinação permanece válida e segura. Acompanhamento recente com 640 crianças e adolescentes vacinados com a CoronaVac mostrou que apenas 56 se infectaram após a vacinação, e nenhuma evoluiu para quadros graves. Entre 2022 e 2023, o Brasil aplicou mais de 6 milhões de doses em crianças, com poucas notificações de eventos adversos graves.
A médica reitera que a atuação dos profissionais de saúde é determinante para ampliar as coberturas. A formação médica precisa acompanhar as evidências científicas para orientar famílias sobre a importância da vacinação.
Quem deve se vacinar contra a covid-19?
- Bebês: 1ª dose aos 6 meses, 2ª aos 7 meses, 3ª aos 9 meses (apenas para quem recebeu Pfizer)
- Crianças imunocomprometidas: 1ª aos 6 meses, 2ª aos 7 meses, 3ª aos 9 meses, reforço a cada 6 meses
- Crianças indígenas, ribeirinhas, quilombolas ou com comorbidades: esquema básico similar ao geral, reforço anual
- Crianças com menos de 5 anos não vacinadas ou com doses incompletas devem completar o esquema
- Gestantes: uma dose por gravidez
- Puérperas (até 45 dias após o parto): uma dose, se não tomada durante a gravidez
- Idosos a partir de 60 anos: uma dose a cada 6 meses
- Pessoas imunocomprometidas: uma dose a cada 6 meses
- Pessoas em instituições de longa permanência, indígenas, ribeirinhos, quilombolas, trabalhadores da saúde, pessoas com deficiência, comorbidades, pessoas privadas de liberdade, trabalhadores do sistema prisional, moradores de rua e trabalhadores dos Correios: uma dose por ano
- Pessoas entre 5 e 59 anos sem grupo prioritário, mas não vacinadas: uma dose
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