- Estudo reuniu dados nacionais de 2013 a 2023 e identificou mais de 12.500 eventos climáticos extremos na Amazônia.
- Países Venezuela, Suriname, Guyana e Guiana Francesa não forneceram dados, fazendo com que as informações sejam mais representativas de Brasil e, em menor grau, da Bolívia.
- Entre os eventos registrados, houve 4.233 inundações, 3.089 deslizamentos e 2.607 tempestades, que teriam afetado mais de 3 milhões de pessoas em um único ano.
- Dados para ondas de calor e secas foram muito baixos: 105 ondas de calor detectadas, com 97% no Brasil e 3% na Bolívia; por isso, secas e ondas de calor foram descartadas do estudo.
- Pesquisadores destacam lacunas em áreas remotas e ressaltam que eventos climáticos transcendem fronteiras, defendendo maior coordenação entre países para monitorar impactos locais.
Entre 2013 e 2023, mais de 12.500 eventos climáticos extremos foram registrados no bioma Amazônia, segundo um estudo recente. No entanto, parte dos eventos não consta em registros oficiais, pois alguns países amazônicos forneceram dados ausentes ou limitados.
O levantamento agregou dados nacionais disponíveis, mas não houve informações de Venezuela, Suriname, Guiana e Guiana Francesa. Com isso, o conjunto de dados tende a superestimar os registros de Brasil e, em menor escala, de Bolívia.
Segundo Liliana Dávalos, coautora e professora de biologia da conservação na Stony Brook University, a falta de dados credibiliza dúvidas sobre a veracidade de observações por satélite. Dávalos afirma que pode haver subregistros ou classificação incorreta de desastres.
Entre os eventos analisados, foram computadas milhares de enchentes (4.233), deslizamentos (3.089) e tempestades (2.607). Esses relatos teriam afetado mais de 3 milhões de pessoas em um único ano, além de causar danos significativos à infraestrutura pública.
Para outros tipos de eventos climáticos, os dados foram insuficientes para análise. Por exemplo, apenas 105 ondas de calor foram detectadas no período, com 97% ocorrendo no Brasil e 3% na Bolívia. Quase 95% dos eventos de seca ocorreram também nessas duas nações, enquanto o Peru registrou pouco acima de 4%.
Devido à falta de dados, as categorias de seca e ondas de calor precisaram ser descartadas do estudo. Ane Alencar, diretora científica do IPAM, destaca que municípios remotos costumam registrar impactos de eventos climáticos sem relatos oficiais, evidenciando lacunas importantes.
Os autores ressaltam que eventos climáticos não respeitam fronteiras nacionais, e sugerem coordenação transnacional para monitorar impactos em populações locais. A coleta de dados é apresentada como essencial para entender o tamanho do problema e comparar respostas entre países.
A pesquisa aponta ainda que há municípios impactados sem relatórios oficiais, o que amplia a necessidade de melhoria nos sistemas de monitoramento, sobretudo em áreas mais isoladas onde comunidades vulneráveis estão presentes.
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