- Pesquisadores enviaram o vírus T7 à Estação Espacial Internacional para observar a interação com Escherichia coli sob microgravidade, comparando com a Terra.
- A microgravidade promoveu mutações em vírus e bactérias, deixando as proteínas virais que se ligam aos receptores mais eficientes e exigindo menos contato para infectar.
- As bactérias também alteraram seus receptores para sobreviver à microgravidade e se defender dos vírus.
- De volta à Terra, o vírus cultivado no espaço conseguiu infectar cepas causadoras de infecção urinária humanas, que costumavam resistir ao T7.
- O estudo sugere potencial uso de vírus bacteriófagos mais eficazes contra superbactérias, cuja resistência aos antibióticos preocupa a saúde global, com estimativa de até dez milhões de mortes por ano até 2050.
A relação entre vírus e bactérias evolui de forma rápida e complexa, mesmo sob condições extremas. Pesquisadores de Wisconsin–Madison levaram o vírus T7, que infecta Escherichia coli, à Estação Espacial Internacional para observar como a microgravidade afeta esse embate. A comparação foi feita com o mesmo vírus infectando bactérias na Terra, em condições normais.
Os resultados mostraram mutações tanto no vírus quanto nas bactérias durante a exposição no espaço. O vírus apresentou alterações nas proteínas que se ligam aos receptores bacterianos, tornando a entrada mais eficiente com menos contato. Do lado bacteriano, os receptores evoluíram para enfrentar a presença do vírus na microgravidade.
De volta à Terra, testes com o vírus cultivado na ISS demonstraram capacidade de infectar cepas associadas a infecções urinárias em humanos, incluindo algumas resistentes ao T7 tradicional. A evolução observada no espaço sugeriria que vírus bacteriófagos podem se adaptar a encontrar alvos ocultos ou difíceis sob microgravidade.
Experimentação no espaço
O estudo publicado na PLOS Biology compara a evolução de vírus e bactérias em dois cenários distintos: microgravidade da ISS e gravidade terrestre. O foco foi o T7 e a bactéria E coli, com observações sobre tempo de multiplicação e padrões de mutação.
Mutations no vírus passaram a exigir menos contato com receptores bacterianos, aumentando a eficiência de infecção. Em contrapartida, as bactérias ajustaram seus receptores para reduzir a vulnerabilidade frente aos bacteriófagos em ambiente de baixa gravidade.
Possíveis aplicações
Os especialistas apontam que, no futuro, vírus bacteriófagos mais adaptados podem ser explorados para combater superbactérias, bactérias que desenvolvem resistência a antibióticos. A descoberta envolve o papel da via evolutiva em ambientes não terrestres para ampliar o conjunto de ferramentas antibióticas.
A Organização Mundial da Saúde alerta para o risco das superbactérias, estimando até 10 milhões de mortes anuais até 2050 caso a resistência se torne mais disseminada. Pesquisas desse tipo fornecem dados para o desenvolvimento de estratégias adicionais no enfrentamento de infecções.
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