- Em setembro de 2025, a missão Proba-3 da Agência Espacial Europeia registrou explosões na atmosfera do Sol, condensando cinco horas de observação em um time-lapse de quatro segundos.
- O vídeo mostra três grandes plumas de plasma sendo arremessadas para o espaço, imagens de proeminências em vez de erupções solares clássicas com flashes.
- Proeminências são estruturas de plasma que se elevam acima da superfície e podem romper-se, lançando material para o espaço; são menos intensas que erupções, mas ajudam a entender a coroa solar.
- A Proba-3 usa eclipses artificiais no espaço, com duas espaçonaves gêmeas alinhadas a cerca de duzentos metros de distância, uma ocultando o Sol e a outra carregando o coronógrafo ASPIICS.
- O registro combinou dados do ASPIICS com imagens do Observatório de Dinâmica Solar da Nasa, ampliando a visão da coroa ao sobrepor a superfície do Sol.
A ESA divulgou um timelapse registrado pela missão Proba-3 que mostra explosões na atmosfera do Sol em setembro de 2025. O vídeo condensa cinco horas de observação em apenas quatro segundos e evidencia três grandes plumas de plasma lançadas ao espaço. O fenômeno observado difere das erupções solares clássicas, pois não apresenta os flashes intensos habituais.
As imagens capturam proeminências solares, estruturas em formato de laços formadas por plasma, que se elevam acima da superfície solar. Esses laços podem romper-se e expelir plasma em várias direções, oferecendo pistas importantes sobre a coroa solar, a camada externa da atmosfera do astro.
Segundo a missão, as proeminências são menos potentes que as erupções solares, mas ajudam a compreender a dinâmica da coroa. O brilho pode parecer maior do que a temperatura real do plasma, que é mais frio que a coroa, explica a equipe de pesquisa. A observação qualifica-se como avanço técnico significativo.
A Proba-3, lançada em dezembro de 2024, opera com duas espaçonaves gêmeas a cerca de 150 metros de distância. Uma funciona como ocultadora, bloqueando o disco solar, enquanto a outra carrega o coronógrafo para observar a coroa. Esse arranjo permite eclipses artificiais contínuos.
O instrumento ASPIICS, instalado no coronógrafo, utiliza filtros que isolam a luz de diferentes elementos químicos presentes na coroa. Assim, é possível distinguir assinaturas de luz e enxergar estruturas que antes ficavam invisíveis.
Para ampliar a qualidade dos registros, a ESA integrou dados do ASPIICS com imagens do Observatório de Dinâmica Solar da NASA, que observou o disco solar simultaneamente. O resultado é um vídeo com a coroa em amarelo sobreposta à superfície do Sol.
Desde o início de suas operações, a Proba-3 já realizou pelo menos 50 eclipses artificiais, com a expectativa de acumular centenas de observações nos próximos anos. A missão ocorre num momento de atividade solar elevada, o que impulsiona pesquisas sobre o máximo solar.
No curto prazo, os registros não alteram o cotidiano, mas ampliam o entendimento sobre a região que abriga eventos que podem atingir a Terra. A coroa é o berço do vento solar e de estruturas magnéticas que, ao se reorganizarem, podem gerar tempestades em satélites, comunicações e redes elétricas.
Os cientistas esperam usar as observações para relacionar o que acontece na superfície do Sol com a dinâmica da coroa, contribuindo para explicar por que a atmosfera externa da estrela é tão mais quente do que se esperava.
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