- Em 2007, a bióloga Purnima Devi Barman presenciou a morte de adutores maiores em Dadara, Assam, após a derrubada de uma kadamba, evento que a motivou a agir pela conservação dos garças-hargilas (bone-swallower).
- As aves, gigantes de cerca de 1,5 metro, são nativas do norte da Índia e classificadas como “Quase ameaçada” pela IUCN, com papel crucial na limpeza de carcaças e na saúde dos ambientes alagados.
- Surge a Hargila Army, um movimento formado apenas por mulheres, que hoje reúne cerca de 20 mil integrantes em 47 vilas, dedicadas à proteção das aves.
- As iniciativas incluem apresentações culturais, costura de itens temáticos, feiras e uma loja de resíduos, gerando oportunidades econômicas para as participantes e fortalecendo o engajamento comunitário.
- A população de hargila em Assam aumentou de cerca de 450 em 2007 para aproximadamente 1.800, com avanços ainda dependentes de proteção de áreas úmidas, preservação de árvores como a kadamba e envolvimento de comunidades locais.
Purnima Devi Barman, bióloga de Assam, testemunhou em janeiro de 2007 a queda de uma kadamba, árvore emblemática, no vilarejo de Dadara, às margens do Brahmaputra. Entre galhos derrubados, encontraram-se garças-adjutantes maiores mortas, com alguns filhotes vivos aos seus pés. O choque motivou a pesquisadora a agir.
A hargila, como é conhecida localmente, é uma espécie de grande porte com função vital na limpeza de carcaças e no equilíbrio do ecossistema de wetlands. Ao perceber o impacto humano sobre a espécie, Barman decidiu atuar além da pesquisa acadêmica.
Ameaçada pela captura, destruição de ninhos e perda de habitat, a hargila já ostentou há tempos o rótulo de mau agouro. Hoje é listada como Quase Ameaçada pela IUCN e tem sua população estimada em torno de 1.800 indivíduos, com visto de melhoria a partir de 2007, quando havia cerca de 450 na região de Assam.
A mobilização liderada por mulheres
A iniciativa ganhou corpo a partir de 2007, quando Barman começou a dialogar com mulheres de 47 vilarejos. O objetivo era transformar a percepção sobre as aves, criando empatia e participação comunitária. A partir de ações culturais, as aves passaram a simbolizar celebrações locais.
Mulheres passaram a promover a defesa da hargila por meio de projetos econômicos. Elas costuram peças com o tema, vendem mercadorias e mantêm um cart de venda móvel que atende as comunidades. Hoje existem cerca de 20 mil mulheres engajadas em 47 vilarejos.
Essa participação feminina também mudou padrões de renda e identidade local. Em Dadara, Lavita Baishya criou uma cooperativa de costura após aprender a bordar e manter um ateliê próprio. O movimento gerou oportunidades para várias artesãs, fortalecendo a proteção da ave.
Intervenções de comunicação e cultura ajudaram a reforçar a conservação. Pesquisadores destacam que o envolvimento comunitário, aliado a benefícios econômicos, sustenta a continuidade das ações. O movimento já ganhou reconhecimento internacional.
Desafios e continuidade
Ainda há desafios, como projetos de desenvolvimento que avançam sobre ecossistemas úmidos e ameaçam a biodiversidade. A conservação também depende da preservação de ninhos em árvores altas, especialmente Bombax ceiba, comuns em áreas públicas, muitas vezes exploradas.
Especialistas ressaltam a necessidade de envolver proprietários de terras privadas na proteção das nidificações. A estratégia de associar a proteção da hargila a benefícios econômicos locais é vista como elemento crucial para a sustentabilidade das ações.
O caso de Barman e da Hargila Army é visto por organizações internacionais como modelo de engajamento comunitário. A iniciativa demonstra que combate à ameaça à espécie pode andar junto com oportunidades para as mulheres da região.
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