- Estudo apresentado em novembro de 2025 nos Estados Unidos associa uso prolongado de melatonina (pelo menos um ano) a maior risco de insuficiência cardíaca, hospitalização e morte por cinco anos; ainda é preliminar e não comprova causalidade.
- Melatonina está disponível em comprimido, gota e bala de goma e pode ser comprada sem prescrição; Anvisa autorizou a venda como suplemento alimentar em outubro de 2021.
- A substância é um neuro-hormônio, exige monitoramento; doses acima de 0,21 mg são consideradas excesso e podem deixar efeito residual durante o dia.
- Possíveis efeitos colaterais incluem sonolência diurna, tontura e dor de cabeça; as consequências a longo prazo ainda não estão definidas.
- Orientação médica é recomendada: tratar insônia com abordagem comportamental (Tcc-I), higiene do sono e mudanças de estilo de vida; procure um médico do sono para avaliação em caso de dificuldades recorrentes.
A melatonina, disponível em comprimidos, gotas e balas, tem ganhado espaço nas farmácias devido à demanda por soluções rápidas para noites mal dormidas. Embora autorizada pela Anvisa para venda sem prescrição, seu uso sem orientação médica pode trazer prejuízos à saúde a longo prazo.
Um estudo apresentado nas Sessões Científicas da AHA em novembro de 2025 analisou mais de 130 mil prontuários nos EUA. Indivíduos que usaram melatonina por pelo menos um ano tiveram risco maior de insônia associada a complicações cardíacas ao longo de cinco anos.
A pesquisa indica que usuários tinham probabilidade de cerca de 90% a mais de desenvolver insuficiência cardíaca, além de 250% mais hospitalizações pela condição. A mortalidade geral também esteve aproximadamente 2 vezes maior nesse grupo. Os resultados são preliminares e ainda não revisados por pares.
Indicações e riscos
A melatonina aparece no rótulo como suplemento alimentar, classificação autorizada pela Anvisa em 2021, permitindo venda sem receita. A agência argumenta que a substância é bioativa naturalmente presente em alimentos e segura dentro de limites legais.
Por outro lado, a melatonina é um neuro-hormônio com funções antioxidantes, anti-inflamatórias e na regulação do ritmo circadiano. A popularização sem indicação clínica preocupa especialistas, que destacam riscos de uso indiscriminado e possível interferência na fisiologia.
A dose diária segura costuma ser baixa; a Anvisa aponta limite de 0,21 mg em muitos casos. Exceder esse valor pode tornar-se excesso no organismo, com efeitos como sonolência diurna, tontura e dor de cabeça. A monitorização é recomendada para ajustar a quantidade.
A recomendação médica é evitar o uso prolongado sem indicação, principalmente para distúrbios do sono sem avaliação. Médicos destacam que a melatonina não substitui tratamento de condições associadas, como ansiedade ou depressão, que costumam acompanhar a insônia.
Terapias não farmacológicas costumam ser mais eficazes a longo prazo. A terapia cognitivo-comportamental para insônia, por exemplo, é considerada tratamento padrão-ouro e ajuda a modificar hábitos e pensamentos relacionados ao sono.
Medidas de higiene do sono também ajudam: reduzir lumina de dispositivos, praticar atividades físicas diurnas, manter horários regulares e manter alimentação leve perto da hora de dormir. Em casos persistentes, orientação médica é fundamental.
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