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Projeto de fogões no Camarões visa reduzir desmatamento

Projeto de fogões melhorados em Bang, Camarões, reduz uso de lenha, protege árvores e saúde das comunidades, com adoção por 250 mulheres

A woman uses a new cookstove in the village of Bang in the North region of Cameroon.
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  • Em Bang, Camarão do Norte, cerca de 250 mulheres utilizam fogões aprimorados fornecidos pelo CIFOR, com apoio da União Europeia, para substituir fogões de três pedras.
  • Os fogões novos queimam menos lenha e produzem menos fumaça, reduzindo o consumo de madeira e melhorando a saúde, além de facilitar a coleta de lenha durante a seca.
  • Sensação local: a adoção busca proteger florestas e reduzir impactos climáticos, já que o fogo de lenha é uma fonte significativa de carbono negro.
  • Além dos fogões, foi criado o chamado “parque de madeira” de dois hectares, com mudas de neem, baobá e acácia para servir de proteção e suprir parte da demanda futura de lenha.
  • Até o momento, cerca de 1.500 fogões foram fabricados e distribuídos na região, com monitoramento periódico para manter o funcionamento adequado.

Os moradores de Bang, no norte de Camarão, passaram por fortes chuvas em julho, quando o Mayo Tefi vertia água. Na manhã seguinte, muitas famílias não puderam sair para buscar lenha devido ao rio transbordado. Nesse cenário, uma moradora acendeu um fogão novo.

A cozinheira Astha Pabami, mãe de 11 filhos, utiliza o fogão melhorado que substitui o fogo a céu aberto. O equipamento tem uma abertura para madeira e outra para a panela, reduzindo o uso de lenha em relação ao método tradicional.

O roughly 250 mulheres de Bang já utilizam esses fogões, distribuídos pelo Centro de Pesquisa Florestal Internacional CIFOR, com apoio da União Europeia. O objetivo é queima mais limpa e menos consumo de madeira, protegendo florestas e a saúde.

A melhoria permite cozinhar com menos madeira. Pabami afirma que antes usava 8 a 10 pedaços de madeira; hoje, apenas 4 costumam bastar. Com menos lenha, a coleta durante a seca diminui e o estoque dura mais.

A economia de madeira também reduz o tempo gasto na busca por lenha, liberando mulheres para trabalhos agrícolas e domésticos. Bang depende da lenha da região, cuja extração pode degradar a floresta e aumentar riscos de enchentes.

Benefícios ambientais e comunitários

Estima-se que cerca de 2,4 bilhões de pessoas usem combustíveis sólidos como a madeira para cozinhar, segundo a OMS. Fogões tradicionais liberam fuligem que afeta a saúde e o clima local. A fuligem, conhecida como carbono negro, contribui para mudanças climáticas.

Estudos sugerem que fogões aprimorados podem trazer benefícios climáticos significativos se ganharem adesão, ao consumir menos madeira e emitir menos carbono. Técnicos de Camerão destacam que os fogões atuais são mais limpos que as versões anteriores.

Implementação e continuidade

Colette Maba, pesquisadora da CIFOR, orienta comunidades sobre o uso adequado dos fogões. A iniciativa envolve cerca de 1.500 unidades construídas e distribuídas perto de Bang, com visitas periódicas para checar o funcionamento.

A Dipeleng, jovem moradora treinada pela CIFOR, explica o processo de construção com materiais locais, que podem durar mais de cinco anos. Em caso de fissuras, o reparo segue o mesmo método de construção.

Daway ressalta que os novos fogões aliviam a demanda por madeira, permitindo que as mulheres busquem lenha apenas semanalmente. A sustentabilidade depende da adesão contínua ao uso das novas tecnologias.

Conservação de áreas florestais e fonte de energia local

Além dos fogões, a CIFOR criou o “parque de madeira” de duas hectares para plantar neem, baobá e acácia, com o objetivo de reduzir a pressão sobre as árvores locais. A área serve como fonte futura de lenha gerida pela comunidade.

Apesar dos custos baixos e da facilidade de reparo, a aplicação de fogões aprimorados ainda enfrenta desafios. A adoção a longo prazo depende de manutenção regular e de mudanças nos hábitos de uso de energia nas casas.

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