- Linda Losurdo, doutoranda da Universidade de Sydney, criou no laboratório uma versão de poeira cósmica a partir de reagentes comuns.
- O objetivo é entender como os meteoritos que atingem a Terra contêm matéria orgânica.
- O experimento usa uma tubular de vidro com vácuo, gases próximos aos ambientes de estrelas mortas (nitrogênio, dióxido de carbono e acetileno) e alta voltagem para gerar plasma, simulando poeira interestelar.
- A poeira simulada exibe fingerprint infravermelho característico, que ajuda a identificar a sua composição química, incluindo moléculas CHON (carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio).
- O estudo, que pode orientar futuras pesquisas sobre formação de vida e origem dos materiais orgânicos em meteoritos, foi publicado no Astrophysical Journal.
A pesquisadora Linda Losurdo, doutoranda em física de materiais e plasma na Universidade de Sydney, criou cópias de poeira cósmica em laboratório, com o objetivo de esclarecer como a matéria orgânica presente em meteoritos chegou à Terra. O estudo utiliza uma abordagem de laboratório para reproduzir condições interestelares.
A poeira cósmica, geralmente originária de estrelas que chegam ao fim de sua vida, contém moléculas de CHON — carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio — que são blocos de construção da vida. Os pesquisadores buscam entender de onde vieram essas moléculas e como chegaram aos meteoritos que atingem o planeta.
Na bancada, Losurdo, junto ao supervisor Prof. David McKenzie, criou um ambiente de vácuo seguido de uma mistura de nitrogênio, dióxido de carbono e acetileno. Ao aplicar alto voltagem, formou plasma e gerou um “análogo de poeira” que imita as características da poeira interestelar.
A equipe explica que o objetivo é comparar o que é produzido no laboratório com o que se observa em amostras de meteoritos. A ideia é melhorar a previsão de origem dos tipos de poeira encontrados nesses corpos e entender seus vínculos com a matéria orgânica.
A pesquisa foi publicada no Astrophysical Journal, da American Astronomical Society, e recebeu elogios de especialistas da área. A astroquímica destaca que esse método pode abrir caminhos para estudos de química orgânica em ambientes planetários diferentes.
Dr. Sara Webb, da Swinburne University, ressaltou que as partículas de poeira cósmica são fundamentais para a origem da vida e que é possível simular condições para entender como essas moléculas se formaram, mesmo sem coletar amostras do espaço.
Losurdo enfatiza que a experiência não pretende representar toda a diversidade da poeira cósmica, mas oferecer uma visão plausível de processos que poderiam coincidir com evidências reais. O objetivo é criar uma “foto” útil da origem da matéria orgânica.
A investigação aponta que a técnica de simulação pode apoiar futuras experiências químicas em astrobiologia, inclusive para entender situações em outros planetas. A abordagem visa comparar formações laboratoriais com padrões observados no espaço.
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