- Até março de 2025, houve 579.475 casos de pneumonia que exigiram internação de emergência na Inglaterra, segundo o NHS England; aumento de cerca de 25% em dois anos.
- Pneumonia é a principal causa de internações de emergência, com mais do que o dobro de casos da próxima condição mais comum.
- Entre abril de 2022 e março de 2025, mais de 97 mil pessoas morreram em hospital por pneumonia.
- Pessoas em situação de maior privação social têm 36% mais probabilidade de ser hospitalizadas com pneumonia.
- A Asthma + Lung UK solicita uma estratégia nacional para doenças respiratórias, com foco em cuidados básicos, revisões de tratamento, planos de ação e vacinação (RSV, gripe e pneumocócica).
O número de atendimentos emergenciais por pneumonia na Inglaterra atingiu mais de meio milhão em 12 meses, segundo dados oficiais. Entre abril de 2024 e março de 2025, houve 579.475 casos que demandaram hospitalização de urgência, cenário que tende a piorar desde então, conforme a entidade Asthma + Lung UK.
A pneumonia continua sendo a principal causa de entradas em emergência, com mais do que o dobro de casos em relação à próxima condição mais comum nesse tipo de internação. Entre abril de 2022 e março de 2025, mais de 97 mil pessoas morreram após internação associada à doença.
O aumento ocorre em um contexto de pressão sobre serviços de saúde, especialmente os departamentos de A&E, que enfrentam lotação. A organização aponta que casos evitáveis contribuem para esse desafio, intensificando a sobrecarga do sistema.
O estudo de Asthma + Lung UK também mostra que pessoas em condições de maior privação social têm probabilidade 36% maior de serem hospitalizadas por pneumonia, frequentemente ligadas a moradias úmidas, mofadas ou com poluição do ar elevada.
Profissionais ouvidos pela entidade associam o quadro a políticas de austeridade promovidas desde 2010, que teriam deixado de lado a saúde respiratória na atenção primária. O diretor médico da instituição, Nick Hopkinson, afirma que doenças pulmonares são fortemente vinculadas à desigualdade social.
Segundo o levantamento, a atenção básica costuma ficar abaixo do necessário, com educação preventivista e orientações para manejo em casa pouco priorizadas em planos de saúde. Em resposta, a Asthma + Lung UK defende uma estratégia nacional para doenças respiratórias e maior apoio comunitário.
Entre as ações sugeridas estão revisões regulares de tratamento, planos de ação criados com médicos e campanhas de vacinação, incluindo RSV, influenza e pneumocócica. A organização aponta que apenas 32% dos pacientes com asma recebem todos os elementos básicos de cuidado.
Dados sobre risco mostram que pessoas com COPD têm quatro vezes mais probabilidade de contrair pneumonia, enquanto indivíduos com asma apresentam risco três vezes maior do que a população geral. Mesmo com tratamento, a pneumonia pode agravar condições já existentes.
Caso ilustrativo, Sabrina Kaur, enfermeira com histórico de asma severa, bronquiectasia e COPD, relatou internações frequentes e dificuldades de acesso a atualizações de tratamento e vacinas. Ela destacou a necessidade de uma abordagem mais personalizada na prática clínica.
O NHS England ressaltou que trabalha para ampliar o suporte a doenças respiratórias no inverno, com monitoramento remoto e maior assistência comunitária. O objetivo é reduzir a pressão sobre hospitais por meio de ações preventivas e novas medicinas para as condições associadas.
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