- O projeto Wild Woodbury, em Bere Regis, Dorset, utiliza restauração de rios em 170 hectares para reduzir enchentes, armazenar carbono e criar habitats, começando pela parte alta do rio Sherford.
- A preparação envolve tirar a água de valas e permitir que ela percorra o terreno, abrindo caminhos naturais e reestabelecendo velhos cursos pelos campos.
- Há benefícios visíveis, como água em riachos mais clara e estradas menos sujeitas a alagamentos, já que o terreno atua como esponja e retém o excesso de água.
- A técnica ajuda a enfrentar tanto secas quanto enchentes, mas nem todas as áreas são adequadas; é necessário avaliar custo e ganho, especialmente em locais com menor espaço plano.
- especialistas alertam que soluções isoladas não resolvem o problema em escala; é essencial conectá-las a outras medidas, com possível uso de engenharia, e evitar construção em áreas de alagamento.
O que fazer com as inundações cada vez mais frequentes tem ganhado força após o vendaval Chandra, que deixou casas alagadas, estradas bloqueadas e escolas fechadas. Especialistas afirmam que o aquecimento global traz invernos mais quentes e úmidos, aumentando a probabilidade de rios transbordarem.
Pesquisador da University of Southampton, David Sear, destaca que os rios serão moldados por extremos de chuvas e de secas, exigindo ajustes no manejo das áreas alagáveis para reduzir impactos. A solução passa por permitir que a água escoe para as planícies de inundação, desacelerando o fluxo e aumentando a capacidade de armazenamento natural do solo.
Um exemplo citado é o projeto Wild Woodbury, em Bere Regis, Dorset, que abrange cerca de 170 hectares. A iniciativa, chamada de restauração de rios no estágio 0, visa limpar a água, armazenar carbono e criar habitats para a fauna aquática, além de beneficiar comunidades ribeirinhas.
Segundo Rob Farrington, gerente do projeto, os benefícios aparecem rapidamente, com córregos e lagoas apresentando água clara. A recuperação também reduz o escoamento rápido de água para estradas locais, que deixam de sofrer inundações frequentes após o restauro. Farrington aponta que o solo atua como uma esponja, ajudando a distribuir a água de forma controlada.
A estratégia de restauração envolve ampliar áreas úmidas — cerca de 50 hectares já constituem parte da área total de 270 hectares — para complementar a gestão de enchentes, secas e qualidade da água. O método, porém, não é universalmente aplicável; vale ponderar custos e benefícios conforme o terreno, especialmente em áreas mais planas.
Especialistas ressaltam que intervenções isoladas não bastam. O monitoramento do clima indica a necessidade de conectar diferentes ações, inclusive com eventuais soluções estruturais, para permitir que os rios se adaptem ao clima em mudança. Sear orienta a evitar construções em várzeas de rios e defender propriedades já existentes, além de buscar estratégias que conciliem processos naturais e engenharia quando necessário.
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