- Pesquisas mostraram que baleias-piloto do Atlântico Norte têm concentração 60% menor de alguns PFAS legados em 2023 comparado a uma década antes, indicativo de eficácia das regulações.
- O estudo analisou amostras de tecidos de baleias coletadas nas Ilhas Faroe entre 1986 e 2023, medindo organofluorina total e compostos específicos no fígado e na musculatura.
- Foco em baleias jovens machos para reduzir variação por idade e status reprodutivo; os resultados refletem décadas de redução na produção de PFAS problemáticos.
- Mesmo com a queda dos PFAS legados, houve aumento do substituto C4 FASA em cerca de 7% ao ano entre 2001 e 2023, ilustrando o problema de substituição gradual.
- Autoridades ressaltam que a diminuição dos PFAS legados contrasta com dados humanos e apontam para a necessidade de regulações mais amplas por famílias de químicos, não apenas de substâncias isoladas.
O estudo, divulgado pela Harvard University, aponta que golfinhos-piloto de barbatanas longas do Atlântico Norte apresentam hoje concentrações 60% menores de alguns PFAS legados do que há uma década. As amostras vieram de baleias coletadas nas Ilhas Faroe entre 1986 e 2023.
A pesquisa analisou tecido de fígado e músculo, medindo o organofluorina total como proxy de contaminação por PFAS, além de compostos específicos. Os cientistas utilizaram apenas baleias jovens machos para reduzir variação por idade e estado reprodutivo.
Os dados indicam pico de concentrações por volta de 2011, seguidos de queda superior a 60% até 2023. O atraso de aproximadamente uma década está ligado ao tempo que correntes oceânicas levam para transportar químicos desde áreas costeiras até o Atlântico Norte onde as baleias se alimentam.
Apesar da queda dos PFAS legados, o estudo registra o surgimento de substituições problemáticas. Quatro compostos mais antigos representaram mais de 75% da contaminação ao longo dos anos, mas seus níveis caíram com o tempo. Em contrapartida, o substituto C4 FASA aumentou cerca de 7% ao ano entre 2001 e 2023.
A pesquisa também avaliou 16 PFAS adicionais presentes em mamíferos marinhos, encontrando tendências geralmente de decréscimo; no entanto, C4 FASA mostrou aumento estatisticamente significativo nos últimos anos. A substituição em cadeia é destacada como desafio contínuo.
Especialistas ressaltam a necessidade de regulação que foque em famílias de químicos, e não em substâncias isoladas. A abordagem de seis classes, que agrega PFAS, antimicrobianos, retardantes de chama, bisfenóis, ftalatos, solventes e alguns metais, é citada como caminho mais viável.
O estudo reforça que a redução de PFAS legados é positiva para ecossistemas marinhos, mas sinaliza que substituições podem manter riscos. A equipe de pesquisa indica atenção contínua a novas substituições e impactos na cadeia alimentar.
Entre na conversa da comunidade