- Dinossauro herbívoro muito pequeno, Foskeia pelendonum, tinha cerca de meio metro de comprimento e viveu há ~125 milhões de anos, no início do Cretáceo, na Espanha (Vegagete, Burgos).
- Fósseis de pelo menos cinco indivíduos indicam que havia uma espécie naturalmente pequena, não apenas jovens.
- O crânio é extremamente derivado, com dentes especializados para cortar vegetação, mesmo em um corpo diminuto.
- Observou-se mudança na locomção ao crescer, com indícios de arrancadas rápidas em ambientes florestais densos.
- Os pesquisadores sugerem relação próxima à base de uma linhagem europeia antiga, com ligação ao dinossauro australiano Muttaburrasaurus, e fortalecem a hipótese de Phytodinosauria como grupo de herbívoros.
Um dinossauro herbívoro de tamanho reduzido, com cerca de meio metro de comprimento, pode reconfigurar a compreensão sobre a evolução dos herbívoros. O espécime, denominado Foskeia pelendonum, foi descoberto no sítio de Vegagete, na província de Burgos, Espanha, e viveu aproximadamente há 125 milhões de anos, no início do Cretáceo. A descrição aparece na revista Papers in Palaeontology.
Os fósseis representam ao menos cinco indivíduos. O que chamou a atenção foi o tamanho dos ossos, muito menor do que o observado em herbívoros do mesmo período, como precursores dos hadrossauros. Inicialmente, os pesquisadores suspeitaram de animais jovens, mas análises mostraram que ao menos um exemplar adulto já era naturalmente pequeno.
Foskeia pertence aos ornitópodes, grupo de dinossauros herbívoros conhecidos por agilidade e mandíbulas adaptadas à planta. Esses animais costumavam ser bípedes e não possuíam armaduras ou chifres, deslocando-se rapidamente para evitar predadores. A nova espécie amplia a diversidade de formas e tamanhos dentro desse clado.
Descoberta
A descoberta começou com fósseis de Vegagete que incluíam ossos das pernas e dos braços, além de fragmentos do corpo, porém sem crânio. Sem a cabeça, não era possível identificar a espécie com precisão na época inicial.
Novos fósseis encontrados, incluindo crânios bem preservados, permitiram uma reavaliação. Com o material adicional, ficou claro o contraste entre o corpo extremamente pequeno e o crânio complexo, com características anatômicas avançadas. O estudo aponta que Foskeia apresenta um crânio derivado apesar do tamanho modesto.
O nome Foskeia reflete a ideia de leveza corporal, enquanto pelendonum faz referência aos Pelendones, povo antigo da região onde fica o atual norte da Espanha e próximo ao local da descoberta. A nomenclatura também remete ao hábito herbívoro do animal.
Além do crânio incomum, Foskeia exibe dentes adaptados para cortar vegetação. Indícios na formação do esqueleto sugerem mudanças na locomoção conforme o animal crescia, com potencial uso de arrancadas rápidas em florestas densas.
Implicações evolutivas
A análise coloca Foskeia perto da base de uma linhagem europeia antiga e sugere relação com o dinossauro australiano Muttaburrasaurus. O achado contribui para entender a diversificação de herbívoros ao longo de diferentes continentes.
Os pesquisadores também reavaliam a ideia de que os grandes herbívoros formariam um grupo natural único chamado Phytodinosauria, defendendo que a evolução dessas espécies envolveu trajetórias distintas. A miniaturização é apontada como sinal de diversidade evolutiva, não de simplicidade morfológica. O estudo envolve pesquisadores de instituições na Argentina, Espanha e Bélgica.
Entre na conversa da comunidade