- Um estudo extenso analisou 19 ensaios randomizados com 124 mil pessoas, com média de acompanhamento de quatro anos e meio, para avaliar efeitos colaterais listados para estatinas.
- Dos 66 efeitos colaterais incluídos nos rótulos, não houve evidência forte de que as estatinas causem 62 deles, como problemas de memória, depressão, distúrbios do sono e dormência/irritação nervosa.
- Apenas quatro efeitos entre os listados têm suporte de evidência: alterações nos testes hepáticos, anormalidades hepáticas leves, alterações na urina e inchaço de tecidos.
- Os riscos observados são muito baixos e os benefícios das estatinas na redução de infartos, derrames e mortes por doenças cardiovasculares são maiores do que os possíveis malefícios.
- Especialistas destacam que os rótulos devem ser atualizados para refletir melhor as evidências, ajudando pacientes e médicos a tomar decisões mais informadas sobre o uso das estatinas.
O estudo mais abrangente até hoje avaliou a relação entre estatinas e efeitos colaterais. Dos 66 efeitos listados em bulas, apenas quatro têm evidência de relação com o uso das drogas. Entre eles, alterações leves em testes de função hepática, anormalidades hepáticas mínimas, alterações na urina e inchaço de tecidos. Os riscos são considerados muito baixos.
A pesquisa analisou 19 ensaios randomizados com 124 mil participantes, com média de acompanhamento de quatro anos e meio. Os dados indicam que a maioria dos efeitos citados não é causada pelas estatinas. Além disso, os benefícios das estatinas — redução de infartos, AVCs e mortes cardiovasculares — permanecem sólidos.
Resultados principais apontam que problemas como memória, depressão, distúrbios do sono e dormência em mãos e pés não apresentam associação consistente com o uso de estatinas. Segundo os autores, os eventos relatados podem ocorrer independentemente do tratamento.
Implicações para informações em bulas
A pesquisadora principal, Christina Reith, destaca que as estatinas não elevam a incidência desses efeitos na comparação com quem não usa o medicamento. A revisão sugere atualização rápida das bulas para refletir as evidências disponíveis.
O estudo foi liderado por pesquisadores da Universidade de Oxford. O professor Sir Rory Collins, coautor, afirma que a revisão permitirá decisões mais informadas por pacientes e médicos. A British Heart Foundation participou, contribuindo para o financiamento.
Para a Royal College of General Practitioners, a orientação é manter o equilíbrio entre riscos e benefícios. A decisão de prescrição deve ocorrer em conversa entre médico e paciente, considerando o quadro individual e as metas de saúde cardiovascular.
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