- Em Inari, Finlândia, o território Sámi de Alttokangas foi reconhecido em 2024 como a primeira área indígena e comunitária conservada (ICCA) em terras Sámi.
- A iniciativa faz parte de um movimento para criar centros de restauração coordenados em pântanos boreais e árticos na Europa e na América do Norte, com participação de comunidades da Finlândia, Canadá e Estados Unidos.
- O programa, ligado ao Climate Breakthrough Award e à Snowchange Cooperative, já ampliou suas áreas de restauração de oito sites para oitenta e oito locais, abrangendo centenas de milhares de hectares.
- Os pântanos não apenas armazenam carbono, mas também possuem biodiversidade e valor arqueológico; o objetivo é protegê-los de mineração e infraestrutura por meio de gestão liderada por comunidades.
- Especialistas destacam a importância de combinar ciência, monitoramento e conhecimento tradicional para construir redes globais de restauração que salvaguardem carbono e ecossistemas.
O grupo de comunidades locais em finlandesa Sámi se uniu a uma iniciativa global para proteger pantanais de bosque boreal na Finlândia, Canadá e EUA. O movimento começou como um esforço de restauração e ganhou impulso em 2024, quando foi reconhecido como a primeira área indígena e comunitária conservada (ICCA) na região Sámi.
Bigga-Helena Magga, líder Sámi da comunidade de Ivalo, afirma que o objetivo é impedir que o território ancestral de Alttokangas seja convertido em exploração florestal comercial. O local fica às margens do rio Ivalojoki, com importância cultural e de subsistência para os rebanhos de renas.
Em 2024, o projeto passou a integrar redes de restauração coordenadas que atuam em turfeiras europeias, canadenses e americanas. O objetivo é criar um arcabouço comum para restauração, preservando o carbono do solo e ajudando a mitigar as mudanças climáticas.
Projetos e parcerias
A iniciativa faz parte do Climate Breakthrough Award, com a Snowchange Cooperative liderando trabalhos de restauração desde 2018. Entre 2024 e 2024 houve expansão de 8.800 para 62.000 hectares de áreas restauradas na Finlândia, além de ações em outras regiões da Europa e América do Norte.
Atualmente, mais de 40 áreas comunitárias boreais e pantanosas na Finlândia integram o programa. Na prática, comunidades Sámi documentam habitats e terras historicamente protegidos, enquanto grupos no Canadá e EUA promovem pesquisas e preservação de saberes indígenas para educar sobre as bogs.
Impactos locais e desafios
Nos Territórios do Noroeste do Canadá, as comunidades Gwich’in passaram a ter maior proteção de terras coletivas, reabrindo trilhas tradicionais para atividades como caça, pesca e colheita de berries. Em Minnesota, os(as) integrantes do Sax-Zim Bog participam de um programa de residências artísticas.
Especialistas destacam que o aumento de incêndios florestais, bem como o degelo do permafrost, pode alterar a umidade do solo e liberar carbono. Repercussões para Sámi incluem menor acesso a líquenos para alimentação de renas e mudanças nas práticas tradicionais.
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