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Concentração de água em meteorito marciano surpreende cientistas

Tomografia identifica água presa em meteorito marciano, com 0,6% da massa, sugerindo reservatórios minerais estáveis na crosta de Marte

Tomografia computadorizada do meteorito Black Beauty
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  • Estudo utiliza tomografia por raios X e por nêutrons para mapear a água dentro do meteorito marciano NWA 7034, conhecido como Beleza Negra.
  • A rocha, com cerca de quatro bilhões e quatrocentos milhões de anos, guarda aproximadamente 0,6% de água na massa total, superior à de muitos meteoritos marcianos analisados.
  • Pequenos aglomerados ricos em água, chamados clastos, correspondem a cerca de 0,4% do volume, mas concentram cerca de 11% da água presente na amostra.
  • A água não está livre, e sim ligada a minerais, principalmente em grupos hidroxila, indicando interação prolongada entre água e rocha na crosta marciana.
  • O estudo sugere que ambientes hidrotermais da crosta antiga de Marte funcionaram como reservatórios estáveis de água, alinhando-se com minerais hidratados identificados pelo rover Perseverance em Jezero.

Um meteorito marciano encontrado no Saara há pouco mais de uma década pode reescrever a história da água em Marte. O NWA 7034, conhecido como Black Beauty, guarda água antiga em seu interior, preservada desde os primórdios do planeta.

O estudo, ainda não revisado por pares, analisa a distribuição da água dentro do meteorito por tomografia de raios X e de nêutrons. A técnica permite mapear hidrogênio sem danificar a amostra, abrindo caminho para entender a água marciana sem cortes destrutivos.

O Black Beauty tem cerca de 320 gramas e se formou há cerca de 4,4 bilhões de anos, tornando-se o meteorito marciano mais antigo identificado. Em 2013 já se investigava a água presente, mas faltava entender onde ela estava localizada.

Metodologia inovadora

Ao analisar uma peça do tamanho de uma unha, os cientistas identificaram aglomerados ricos em água chamados de clastos, presos no material maior. Esses clastos são formados principalmente por oxihidróxidos de ferro, minerais parecidos com ferrugem.

Apesar de ocupar apenas 0,4% do volume, os clastos concentram cerca de 11% de toda a água da amostra. No total, a água representa 0,6% da massa do Black Beauty, uma quantidade elevada para meteoritos marcianos.

Implicações dos resultados

A água aparece ligada à estrutura mineral, em grupos hidroxila, e não como gelo livre. Isso sugere interação longa entre água e rocha na crosta marciana, possivelmente por hidrotermia ou circulação de água perto da superfície.

Os autores apontam que os clastos ricos em água procedem de rochas antigas da crosta marciana, indicando reservatórios estáveis ao longo de bilhões de anos. O estudo descreve esse conjunto como um grande reservatório mineral de água.

Conexões com missões anteriores

Há semelhança entre os minerais hidratados identificados no meteorito e aqueles encontrados pelo rover Perseverance na cratera Jezero, atual cenário de um antigo lago. A coincidência sugere que a atuação da água era comum no Marte primitivo, não restrita a locais isolados.

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