- Takeo, Camboja: a casa de Thet Chanton, à beira do Prek Bassac, pode ser demolida para a obra Funan Techo Canal; governo estima que 2.305 famílias, totalizando 11.525 pessoas, serão impactadas direta ou indiretamente.
- O canal vai ligar o rio Mekong ao Golfo da Tailândia, cortando cerca de cento e oitenta quilômetros por quatro províncias, com custo inicialmente de 1,8 bilhão de dólares, depois reduzido para quase 1,2 bilhão; deve gerar entre cinquenta mil e um milhão e seiscentos mil empregos até 2050, com participação de China e Cambodja.
- O projeto é cercado de silêncio e incertezas, com alterações de trajeto reportadas em janeiro de 2026 para evitar escolas e pagodas, mas sem clareza sobre deslocamentos e compensações.
- As áreas alagadas e ecossistemas como as wetlands Boeung Prek L’pov podem sofrer menos água ou inundações, afetando agricultores, pescadores e a fauna local, incluindo espécies ameaçadas.
- Organizações como a World Wide Trust (WWT) trabalham com comunidades para adaptação, com ações de irrigação, armazenamento de água e reflorestamento, e dizem estar dispostas a colaborar para mitigar impactos.
The Funan Techo Canal é um grande projeto hídrico da Cambodja que ligará o Mekong ao Golfo da Tailândia. A obra cortará um eixo de 180 quilômetros, passando por várias províncias, com o objetivo de reduzir custos logísticos e facilitar importações e exportações.
Estima-se que cerca de 2.305 famílias, representando 11.525 pessoas, possam ser impactadas diretamente. Em Takeo, Prey Sambor e outras áreas, moradias, plantações de arroz e pequenos comércios estão no raio de influência do canal. O custo do projeto já variou ao longo do tempo.
Atingidos e atualizações de rota
Um número inicial de 400 casas seria demolido, segundo estimativas oficiais, com várias comunidades temendo deslocamento definitivo. Ao longo de 2025 e 2026, relatos indicaram alterações de trajeto em algumas áreas, mas moradores afirmam não ter clareza sobre compensação ou realocação.
Keo Sarath, líder local em Kok Nuer, confirmou dúvidas sobre o cronograma, vias de acesso e pacotes de indenização. Em alguns locais, autoridades disseram que comunidades seriam afetadas, mas não apresentaram planos detalhados. O governo segue em silêncio sobre as mudanças.
Impactos sobre água, solos e ecossistema
A construção pode reduzir o fluxo de água nas áreas sul da linha do canal, afetando rios, lagoas e zonas alagadas. Especialistas alertam que isso pode prejudicar a Boeung Prek L’pov, wetlands críticos para pesca, cultivo de arroz e fauna. A área abriga mais de 100 espécies de aves, incluindo espécies ameaçadas.
Para comunidades agrícolas, a possível redução de alagamento sazonal ameaça a produção de arroz e a disponibilidade de água durante a seca. Ambientalistas apontam que o canal pode ampliar pressões sobre ecossistemas sensíveis na região, caso não haja mecanismos eficazes de gestão hídrica.
Esforços locais e perspectivas futuras
Organizações locais e internacionais têm atuado para mitigar impactos, oferecendo apoio na gestão de água, na diversificação de culturas e no reflorestamento de áreas alagadas. Ainda não há detalhes públicos sobre compensação ou planos de reassentamento para muitos agricultores afetados.
O canal também levanta dúvidas sobre a infraestrutura de flood control e o uso de água durante a estação seca. Analistas destacam a necessidade de informações claras, participação das comunidades e transparência nos critérios de indenização.
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