- Fragmento de couro costurado, feito a partir de pele de alce, foi encontrado em cavernas do Oregon e data entre 12.600 e 11.880 anos atrás.
- O objeto, costurado com cordão torcido, sugere técnica avançada para vestimentas ajustadas que ajudam a reter calor em clima frio.
- O achado faz parte de estudo publicado na revista Science Advances, que analisou 55 artefatos perecíveis de dois sítios arqueológicos da região.
- Agulhas de osso associadas ao couro reforçam a ideia de produção regular de roupas ajustadas há mais de doze mil anos.
- A pesquisa indica que, com o fim da última Era Glacial, os povos das Américas passaram a usar técnicas engenhosas para enfrentar mudanças climáticas extremas.
O fragmento de couro costurado, possivelmente parte de uma vestimenta ajustada, tem cerca de 12 mil anos. Foi encontrado nos Estados Unidos, no Oregon, em contextos de clima frio da última Era Glacial. A peça evidencia técnicas de costura para reduzir a entrada de ar.
O couro pertenceu a uma pele de alce norte-americano depilada e tratada, resultando em uma peça conectada por um cordão torcido. A descoberta reforça o domínio técnico dos povos antigos na produção de vestimentas para sobreviver ao frio.
O achado é o principal resultado de estudo publicado na Science Advances, que também analisou 55 objetos perecíveis de dois sítios no Oregon: Caverna Cougar Mountain e Cavernas Paisley. A peça foi escavada originalmente em 1958.
Datações e técnicas
Os pesquisadores estimam que o couro foi produzido entre 12.600 e 11.880 anos atrás. A análise química associou o material ao alce canadense, com tratamento prévio antes da costura. O cordão liga as duas peças de forma não improvisada.
Segundo o arqueólogo Richard Rosencrance, as costuras são evidentes: houve passagem de fio de uma peça para a outra, indicando técnica deliberada. Os autores não definem a função exata, mas cogitam borda de roupa, mocassim, bolsa ou abrigo portátil.
Conjunto de tecnologias Perecíveis
O estudo também evidencia ampla domesticidade de materiais perecíveis. Foram avaliados 55 itens com fibras vegetais, madeira e proteína animal, em 66 datações por radiocarbono. A diversidade de espécies sugere múltiplos usos e técnicas locais.
Entre os achados estão cordas trançadas em várias espessuras, peças de madeira associadas a armadilhas de queda para mamíferos de pequeno porte e agulhas de osso com orifício. As agulhas, entre as mais finas do Pleistoceno já encontradas, se associam ao couro costurado.
O registro indica que roupas ajustadas eram produzidas regularmente naquela região, não apenas de forma esporádica. A presença de agulhas com orifício desaparece após cerca de 11.700 anos, quando o clima aquece e novas formas de vestuário ganham espaço.
Os pesquisadores apontam que o conjunto de tecnologias perecíveis mostra uma adaptação climática complexa dos primeiros povos das Américas, que enfrentaram mudanças ambientais profundas.
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