- O governo divulgou o relatório final sobre vazamento de carbono e avaliou a possibilidade de um mecanismo de fronteira de carbono (CBAM) para que importações enfrentem o mesmo custo de carbono que produtos nacionais, com foco inicial em cimento e clínquer.
- O ministro do Meio Ambiente, Murray Watt, rejeitou listar a raia Maugean como criticamente ameaçada, mantendo-a como “em perigo” desde 2004, em meio a debates sobre a salmonicultura em Macquarie Harbour.
- O país adicionou 34 novas espécies à lista de espécies ameaçadas, incluindo o vizinho lemuroid ringtail, o stonefly sem asas Mount Donna Buang e o glossy grass skink, entre outras.
- Foi aprovada a expansão da mineração Middlemount, no interior de Queensland, que pode emitir cerca de 236 milhões de toneladas de CO₂, com condições para proteger o greater glider.
- Desde 2022, o governo aprovou 33 projetos de carvão e gás, mantendo o foco na competitividade da indústria australiana.
O governo de Anthony Albanese liberou, em meio às turbulências da oposição, uma leva de anúncios sobre meio ambiente. Entre eles, o relatório final sobre vazamento de carbono, a decisão sobre a pesca do Maugean skate e aprovações relacionadas à fauna, flora e carvão.
O relatório sobre vazamento de carbono avalia o risco de empresas deslocarem atividades industriais para fora do país para evitar custos climáticos locais. O estudo não considera o vazamento como risco imminente, mas aponta a possibilidade à medida que setores pesados reduzem emissões ou pagam por offset. A resposta prevista passa pela implementação de um mecanismo de fronteira de carbono (Cbam).
A revisão indica que o Cbam pode ser aplicado inicialmente a cimento e clínquer, com potencial expansão para matérias como cal, hidrogênio, amônia, vidro, aço e ferros. Em termos práticos, o imposto de carbono em importações igualaria o custo ambiental entre produtos nacionais e importados.
Na prática, o Cbam já existe na União Europeia, com o Reino Unido em trajetória similar. Taiwan, Canadá e Coreia do Sul também estudam a adoção. O governo federal ainda não detalhou cronograma, mas sinalizou que o tema informará futuras discussões sobre o mecanismo de salvaguarda.
Conservação da Maugean skate
O ministro do Meio Ambiente, Murray Watt, rejeitou pleitos de conservação para a Maugean skate, arraia de origem antiga encontrada apenas no Porto Macquarie, na Tasmânia. A classificação atual permanece como “ameaçada”, desde 2004, mantendo restrições ligadas à aquicultura na região.
Conservacionistas defendem que a atividade de criação de salmão no porto intensifica o risco de extinção da espécie. Em relatório de 2024, um comitê científico recomendou reduzir a produção ou aumentar o status de proteção, pedindo até uma reavaliação para nível crítico. O governo, por sua vez, enfatiza ações para impedir novas extinções e sustenta apoio à indústria local.
O ministro Watt também destacou investimentos, citando 37,5 milhões de dólares dedicados ao tema. A decisão mantém a lista de espécies em risco, conforme atualização de organizações internacionais. Críticos dizem que a abordagem atual não segue o princípio da precaução.
34 novas espécies passam a constar como ameaçadas
A lista de espécies ameaçadas no país ganhou 34 novos registros, segundo a Australian Conservation Foundation. Entre os adicionados estão um marsupial do norte de Queensland, o lemuroid ringtail, deslocando-se a áreas mais altas; o stonefly sem asas do Mount Donna Buang, único na região de Melbourne; e o lagarto brilhante, afetado pela perda de habitat na Tasmânia. Ainda houve inclusão de quatro répteis, um peixe, um molusco e 25 plantas.
A atualização ocorre em um momento de debates sobre equilíbrio entre conservação e atividades econômicas regionais. Organizações ambientais ressaltam a importância de monitoramento contínuo para ajustar políticas.
Nova licença para carvão
O ministro Watt aprovou a expansão da mina Middlemount, no Bowen Basin, Queensland. A concessionária planeja ampliar a extração de carvão para atender demanda externa, com projeção de emissões de aproximadamente 236 milhões de toneladas de CO2 nas próximas décadas, ligadas à siderurgia e à geração de energia.
Conservacionistas apontam riscos significativos para o clima, destacando impactos de longo prazo na pegada de carbono do país. A decisão veio acompanhada de condições voltadas à proteção do greater glider, uma espécie nativa que depende do habitat da região. A proposta se soma a 33 autorizações de carvão e gás já concedidas desde 2022.
As medidas refletem a atuação do governo em temas ambientais variados, buscando equilibrar proteção de espécies, indústria e compromissos climáticos no cenário doméstico e internacional.
Entre na conversa da comunidade