- Pesquisas arqueológicas no Vietnã identificaram dentes tingidos em dois esqueletos da Idade do Ferro e em um crânio de cerca de quatrocentos anos, no sítio de Dong Xa, em Hung Yen.
- O estudo, publicado no periódico Archaeological and Anthropological Sciences no final de janeiro, indica que o tingimento ocorreu por repetidas aplicações de uma pasta que combina sais de ferro e taninos.
- A análise química aponta a presença de ferro e enxofre como componentes centrais, sugerindo que o pigmento preto resultante era formado por múltiplas camadas.
- O processo descrito historicamente envolve preparação de um “líquido de ferro” com ferro velho, farelo de arroz e água, seguido de etapas de aplicação e polimento que promovem o preto duradouro.
- A prática vietnamita é considerada sofisticada e ligada a distinção étnica, diferenciando-se por sua qualidade e duração em relação a outras culturas que tingiam os dentes.
Em Dong Xa, na província de Hung Yen, Vietnã, pesquisadores encontraram crânios de dois portadores da Idade do Ferro com dentes tingidos de preto que permanecem visíveis milênios depois. O estudo foi publicado no periódico Archaeological and Anthropological Sciences no final de janeiro.
A pesquisa aponta que os dentes não devem o preto apenas às nozes de bétele, como já se imaginava. Análises químicas revelaram traços de ferro e enxofre, indicativos de pigmentos formulados por sais de ferro aplicados repetidamente.
O trabalho combina evidência arqueológica com etnografia. Textos antigos descrevem a prática vietnamita como forma de distinção étnica entre grupos, com rituais de escurecimento associados a status social.
História e prática milenar são mais bem compreendidas ao longo de fontes do Vietnã e da região. Documentos chineses citam um “Reino dos Dentes Pretos” e descrevem rituais de marcação de dentes com substâncias vegetais.
A técnica vietnamita, chamada nhuộm răng đen, envolve duas etapas de tingimento que resultam em preto intenso, durando potencialmente toda a vida com retoques a cada poucos anos.
Os autores do estudo detalham o processo histórico: preparo de corantes a partir de taninos vegetais, aquecimento com sais de ferro ou enxofre, que geram um pigmento preto estável.
Segundo a enciclopédia sino-japonesa Wakan Sansai Zue (1712), o método envolve líquido de ferro, maturado com farelo de arroz, água e tempo de fermentação sazonal, para formar o pigmento final.
A aplicação do pigmento envolve limpeza e raspagem inicial, seguida de etapas de envelhecimento que dão origem a um esmalte negro, polido para brilho que dura com pouca manutenção.
Os achados reforçam a conexão entre práticas de dentição negra e o avanço tecnológico da Idade do Ferro, quando ferramentas e substâncias como sais de ferro passaram a ser usadas em pigmentos.
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