- O projeto Ywy Ipuranguete busca fortalecer a gestão indígena em quinze territórios para conservar cerca de 6 milhões de hectares em biomas ameaçados no Brasil, incluindo a Mata Atlântica, Amazônia, Pantanal, Caatinga e Cerrado.
- O lançamento ocorreu em 18 de março de 2025, com financiamento de 9 milhões de dólares do Global Biodiversity Framework Fund.
- No território Caramuru-Paraguassu, na Bahia, a retomada das terras pelos povos indígenas coincide com o retorno de animais silvestres, incluindo jaguares negros.
- A iniciativa envolve autoridades, líderes indígenas e financiadores, e mira ampliar governança, monitoramento, recuperação ambiental e geração de renda sustentável.
- Mesmo não sendo um programa exclusivo de jaguars, especialistas dizem que as ações devem beneficiar a conservação do felino, que tem parte de sua população em áreas indígenas.
O que aconteceu envolve uma iniciativa de governança indígena que busca fortalecer a proteção de ecossistemas e espécies, incluindo o jaguar, em territórios demarcados no Brasil. O projeto Ywy Ipuranguete foi lançado para apoiar a gestão territorial coletiva, com foco em 15 áreas indígenas e ações de monitoramento, restauração ambiental e geração de renda sustentável.
A notícia destaca que, no território Caramuru-Paraguassu, na Bahia, lideranças locais relatam avanços na recuperação de áreas antes ocupadas por pastagens. A implementação do programa contribui para que animais silvestres voltem a aparecer em áreas onde houve reversão de uso da terra, incluindo o jaguar, espécie de grande importância simbólica para as comunidades.
O que é o projeto Ywy Ipuranguete, em números: envolve estados como Pará, Mato Grosso do Sul, Ceará, Pernambuco e Bahia e recebeu US$ 9 milhões do Global Biodiversity Framework Fund. A iniciativa é coordenada por representantes do governo, lideranças indígenas e organizações financiadoras.
Um marco na proteção de espécies e terras
A visão de especialistas é de que a conservação de felinos grandes pode se beneficiar do uso sustentável das terras indígenas. Autores consultados destacam que alguns redutos de jaguar permanecem em áreas habitadas por comunidades tradicionais, fortalecendo o papel dessas terras na conservação.
Entre os elementos centrais do programa, está o fortalecimento da autogestão indígena, o monitoramento territorial, a recuperação de ambientes degradados, a geração de renda sustentável e a segurança alimentar. A meta é manter florestas em pé e conectadas, preservando a biodiversidade e o espectro de espécies que nela habitam.
Perspectivas para a jaguar conservation
Especialistas apontam que o jaguar, embora adaptável, depende de habitats bem protegidos e de corredores ecológicos que facilitem a conectividade genética. A presença de jaguares é observada com maior frequência em terras indígenas, onde o desmatamento tende a ser menor e a conectividade ecológica, maior.
O projeto também reforça o papel cultural do jaguar nas comunidades locais, que o veem como espirito de proteção e energia. O vínculo entre conservação biológica e práticas tradicionais é destacado por pesquisadores que estudam a relação entre povos e fauna na região.
Territórios de atuação e comunidades envolvidas
Entre as nações indígenas envolvidas estão Munduruku, Pataxó, Kayapó, Guarani-Kaiowá, Pankararu, Tremembé, Terena e Kadiwéu, com ações em territórios de Bahia, Pará, Mato Grosso do Sul, Ceará e Pernambuco. A iniciativa também integra áreas já reconhecidas historicamente, como parte de estratégias de proteção ambiental.
Na Bahia, comunidades como a Pataxó Hãhãhãe já adotam práticas de gestão territorial reconhecidas pela nova política, trabalhando para definir áreas de preservação, reverter danos causados pela pecuária e promover a recuperação de ecossistemas locais.
Perspectiva de implementação
A expectativa é de que, mesmo sem o objetivo explícito de conservar jaguares, as ações de monitoramento, governança territorial e restauração ambiental gerem efeitos positivos para a espécie. O avanço depende da continuidade de investimentos, de parcerias entre governo, comunidades e organizações financiadoras e da manutenção de políticas públicas estáveis.
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