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40% das mortes por câncer no Brasil poderiam ser evitadas

Brasil registra 43,2% de mortes por câncer evitáveis; prevenção, diagnóstico precoce e acesso ao tratamento são determinantes

Brasília (DF) 23/10/2025 - Equipamento de mamografia da carreta de saúde da mulher do programa Agora Tem Especialistas no estacionamento do Hospital Regional de Ceilândia, cidade satélite de Brasília Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
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  • No Brasil, 43,2% das mortes por câncer poderiam ser evitadas com prevenção, diagnóstico precoce e melhor acesso ao tratamento, segundo a Lancet.
  • Em 2022, foram diagnosticados no país cerca de 253,2 mil casos; dessas, 109,4 mil mortes poderiam ser evitadas.
  • No cenário global, 47,6% das cerca de 9,4 milhões de mortes por câncer são evitáveis, correspondendo a aproximadamente 4,5 milhões.
  • Os cinco principais fatores de risco identificados são tabaco, consumo de álcool, excesso de peso, exposição à radiação ultravioleta e infecções (HPV, hepatite e Helicobacter pylori).
  • Há grandes disparidades: África tem as maiores proporções de mortes evitáveis; América do Sul registra 43,8% e o Brasil fica próximo; o IDH influencia bastante as cifras, com 60,8% de óbitos evitáveis em países de baixo IDH.

Quatro em cada dez mortes por câncer no Brasil poderiam ter sido evitadas, segundo estudo internacional publicado na Lancet. A pesquisa aponta que 43,2% dos óbitos por câncer no Brasil são evitáveis com prevenção, diagnóstico precoce e acesso adequado ao tratamento.

Em 2022, estima-se que cerca de 253,2 mil casos de câncer no Brasil resultem em morte até cinco anos após o diagnóstico. Desses, 109,4 mil poderiam ter sido evitados com ações de saúde públicas mais eficazes.

O trabalho, assinado por 12 autores, oito vinculados à Iarc, braço da OMS com sede em Lyon, analisa 35 tipos de câncer em 185 países. O estudo compõe a edição de março da Lancet.

Disparidades globais

Em nível mundial, 47,6% das mortes por câncer são evitáveis. Dentre 9,4 milhões de óbitos, quase 4,5 milhões poderiam ter sido prevenidos. Países da América do Sul apresentam 43,8% de mortes evitáveis, indicador próximo ao Brasil.

Os países do Norte da Europa registram menor proporção, com Suécia, Noruega e Finlândia entre os mais bem posicionados. No extremo oposto, África Central, Ocidental e Oriental apresentam as maiores taxas de mortes evitáveis.

Incidência por IDH

A análise por Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mostra maiores índices de evitabilidade em países com IDH baixo (60,8%) e médio (49,6%). Em IDH alto, o índice cai para 57,7% e, em muito alto, para 40,5%.

No Brasil, o indicador de IDH é considerado alto. Entre os motivos de maior impacto, câncer de colo do útero se destaca entre países com IDH baixo e médio, ao passo que não figura entre os cinco principais em IDH alto.

Tipos de câncer e caminhos

A Lancet aponta que 59,1% das mortes evitáveis envolvem cânceres de pulmão, fígado, estômago, colorretal e colo do útero. Entre os casos preveníveis, o pulmão é o principal causador.

Entre as mortes tratáveis, o câncer de mama aparece como o maior em número, com 200 mil óbitos, representando 14,8% do total nessa categoria.

Ao pensar em combate, os autores indicam reduzir tabagismo, consumo de álcool e excesso de peso, com políticas de fiscalização, rotulagem e tributação de produtos não saudáveis. A vacinação contra HPV é ressaltada como prevenção de infecções associadas ao câncer.

Linhas de ação

O estudo destaca metas da OMS para diagnóstico precoce e tratamento, como 60% de câncer de mama diagnosticado nos estágios um ou dois e mais de 80% dos pacientes com diagnóstico em até 60 dias após a primeira consulta.

Para reduzir desigualdades, os autores defendem medidas globais de prevenção, detecção e tratamento, especialmente em países com baixo e médio IDH. No Brasil, o Ministério da Saúde e o Inca promovem campanhas de prevenção e diagnóstico precoce.

Fontes: The Lancet, Agência Brasil.

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