- A produção de plástico dobrou nas últimas duas décadas e pode dobrar novamente, segundo a autora Beth Gardiner.
- Grandes empresas de petróleo investiram mais de $180 bilhões em plantas de plástico nos Estados Unidos desde 2010, alimentando a expansão do setor.
- Comunidades próximas a fábricas sofrem com emissões tóxicas e doenças; o caso de Reserve, Louisiana, é citado como exemplo dos impactos locais.
- Gardiner sustenta que a indústria incentivou o costume de reciclagem e disseminou mitos para desviar a culpa do consumo individual, mantendo o foco nos consumidores.
- A regulação varia pelo mundo: EUA tem avanços limitados, a Europa avança com regras mais rigorosas e há lobbys que atuam para impedir acordos globais sobre plástico.
Beth Gardiner, jornalista ambiental, lança o livro Plastic Inc: Big Oil, Big Money and the Plan to Trash Our Future, investigando como grandes empresas de petróleo investiram bilhões em plantas de plástico nos últimos anos. A obra destaca o papel da indústria na expansão da produção de plástico.
A pesquisadora percorreu os Estados Unidos e outros países para mapear impactos. Em Reserve, Louisiana, ela conheceu Robert Taylor, morador de área próxima a uma fábrica de plástico, que passou a lidar com doenças na vizinhança após relatos de gases tóxicos. O caso serve para ilustrar o efeito local da atividade industrial.
Em uma incursão pela Indonésia, Gardiner observou um monte de plástico descartado por uma fábrica de papel que importa lixo de papel contaminado por plástico. O material exposto em um morro revela vínculos entre reciclagem incompleta e a cadeia de produção de embalagens.
A autora ressalta que a produção de plástico dobrou nas últimas duas décadas e deve seguir crescendo, impulsionada pelos hidrocarbonetos usados na fabricação de plásticos e por políticas industriais que mantêm o uso contínuo. Segundo ela, o plástico tende a sustentar a demanda por petróleo.
Além de emissões associadas à extração, transporte e manufatura, Gardiner aponta que o plástico contribui para a poluição global, com microplásticos detectados em oceanos, atmosfera, alimentos e água. Pesquisas sobre riscos à saúde ainda estão em estágio, segundo a autora.
Ela analisa estratégias de lobby usadas pela indústria para evitar regulações e para defender a reciclagem como solução ampla, embora a eficiência seja limitada para muitos tipos de plástico. A narrativa sugere que a indústria tem atuado para manter o modelo de descarte como norma.
O livro também aborda o impacto político, citando esforços de regulamentação na União Europeia e ações locais nos Estados Unidos, como leis de responsabilização de produtores e restrições a sacolas plásticas. Objetivo é evidenciar o papel das políticas públicas na redução do uso de plástico.
A obra, publicada pela Monoray, chega em 26 de fevereiro. Gardiner recomenda aos leitores olhar para o uso político do plástico, não apenas para hábitos individuais, para identificar mudanças efetivas na cadeia de produção e consumo.
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