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Marcelo Gleiser alerta que confiar em IA pode nos deixar menos inteligentes

Marcelo Gleiser afirma que a IA é ferramenta de conhecimento; uso inadequado pode empurrar a humanidade ao emburrecimento, exigindo o quarteto existencial.

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  • Marcelo Gleiser, físico e curador do São Paulo Innovation Week, aborda a IA como ferramenta de conhecimento, destacando que não amplia a visão de mundo da mesma forma que telescópios e microscópios.
  • O São Paulo Innovation Week, promovido pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, ocorre em São Paulo em maio, com expectativa de cerca de noventa mil visitantes e programação variada.
  • Gleiser defende um “quarteto existencial” que integra ciência, filosofia, espiritualidade e artes para uma inovação mais humanista.
  • Ele ressalta que a IA pode aumentar a eficiência, mas pode reduzir a capacidade de contar histórias e exigir checagem cuidadosa de informações, evitando a ideia de que a IA supera a inteligência humana.
  • O professor enfatiza a necessidade de reformas curriculares e maior acesso à educação para tornar a inovação mais inclusiva, além de alertar para impactos da IA na educação, ciência e relações humanas.

Marcelo Gleiser, físico brasileiro, defende uma ciência mais humanista. Ele é um dos curadores do São Paulo Innovation Week (SPIW), festival promovido pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, programado para maio em São Paulo. O evento deve reunir cerca de 90 mil visitantes, com palestras nacionais e internacionais, debates e atrações culturais.

Em entrevista remota, o pesquisador falou sobre a relação entre inovação e conhecimento. Ele cita a ideia da Ilha do Conhecimento: quanto mais aprendemos, mais surgem perguntas. Para Gleiser, a inovação sustenta avanços da ciência, mas também gera novas incertezas que precisam ser enfrentadas pelo conjunto de pilares da cultura.

Gleiser enfatiza que a inteligência artificial é uma ferramenta de apoio, não um amplificador de realidade como telescópios ou microscópios. Segundo ele, a IA usa dados existentes para auxiliar na pesquisa, sem, por si só, ampliar a visão do mundo. Ela não cria do nada, afirma.

Para ilustrar, o físico cita o papel da IA na classificação de galáxias após novas descobertas. A tecnologia age como megacalculadora, ajudando a organizar dados, mas não aponta novos objetos sem a intervenção humana. A IA é útil, porém não substitui a curiosidade humana.

O pesquisador faz distinção entre IA existente, como chatbots, e a ideia de uma inteligência que supere a humana. Ele afirma que a máquina não é consciente nem sente emoções. O perigo, na visão dele, reside no uso humano da tecnologia e não na máquina em si.

A conversa aborda impactos na educação e no ambiente científico. Gleiser aponta que o uso de IA pode aumentar a eficiência, mas pode reduzir a prática de pensar criticamente. Em experiências, alunos que evitam o desafio obtêm resultados menores e aprendizado menos ativo.

Ele cita casos de substituição de empregos por IA e ressalta o risco de desumanizar áreas como medicina, direito e ensino. A educação, para o físico, exige interação humana e narrativa, aspectos que não são totalmente replicados por máquinas.

SPIW: inovação, inclusão e o quarteto existencial

O SPIW vai ocupar espaços simbólicos de São Paulo, como a Arena Pacaembu e a FAAP, com programação de palestras, debates e atividades culturais. A organização pretende levar o evento a um público amplo, com ingressos já disponíveis.

Gleiser defende a ideia de um quarteto existencial para a inovação: ciência, filosofia, espiritualidade e artes. Segundo ele, as quatro dimensões devem coexistir para uma visão de mundo equilibrada, evitando decaimento em uma única vertente.

Para formar profissionais mais completos, o pesquisador sugere reformas curriculares que incentivem experiências diversas nos primeiros anos universitários. A proposta visa ampliar horizontes e preparar melhor os estudantes para a inovação responsável.

Ele também defende maior inclusão na inovação, destacando a importância de laboratórios e de filantropia voltada à educação. A ideia é ampliar o acesso à ciência desde a infância, para que mais jovens possam experimentar e criar.

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