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Sofrimento emocional pode desencadear problema cardíaco; entenda os motivos.

Estudo vincula depressão e ansiedade a maior risco de infarto e AVC, apontando mecanismos biológicos que comprometem o coração

Pessoas com depressão têm um risco maior de infarto e AVC.
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  • Estudo publicado na Circulation: Cardiovascular Imaging acompanhou mais de oitenta e cinco mil participantes por pouco mais de três anos, com 3,6% apresentando infarto ou AVC.
  • Pessoas com depressão tinham risco maior de eventos cardiovasculares, especialmente quando havia ansiedade associada.
  • A pesquisa apontou hiperatividade da amígdala cerebral em situações de estresse, o que pode manter o organismo em estado de alerta e elevar hormônios do estresse.
  • Foi observada menor variabilidade da frequência cardíaca nesses indivíduos, indicando menor capacidade de o coração se adaptar ao estresse.
  • also houve aumento da proteína C-reativa, marcador de inflamação; os autores sugerem que tratar precocemente a depressão e a ansiedade pode ajudar a prevenir problemas cardíacos.

A partir de dados de mais de 85 mil participantes do Mass General Brigham Biobank, um estudo publicado em dezembro na revista Circulation: Cardiovascular Imaging aponta que transtornos mentais como depressão e ansiedade elevam o risco de eventos cardiovasculares. A pesquisa acompanhou os voluntários por pouco mais de três anos.

Ao longo do período, cerca de 3,6% apresentaram infarto ou AVC. A análise mostrou que quem tinha depressão tinha risco maior dessas ocorrências, sobretudo quando havia comorbidade com ansiedade. O estudo reforça a vulnerabilidade desse grupo em relação à saúde cardíaca.

O pesquisador Elton Kanomata, do Einstein Hospital Israelita, afirma que pacientes com múltiplas comorbidades psiquiátricas demandam maior atenção cardiovascular. O acompanhamento pode incluir avaliação cardiológica e reforço de mudanças no estilo de vida. A constatação integra fatores de risco já conhecidos.

A investigação investigou mecanismos biológicos que ligam transtornos mentais ao coração. Parte dos voluntários realizou PET/TC para mapear atividade cerebral relacionada ao estresse, e tomografias para anatomia. Os dados sugerem alterações em áreas associadas ao estresse, como a amígdala.

Segundo os resultados, a amígdala hiperativa pode manter o organismo em estado de alerta, elevando hormônios do estresse e ativando o sistema nervoso autônomo. Com o tempo, esse processo pode prejudicar o funcionamento cardíaco e dos vasos sanguíneos.

Outra linha de evidência foi a menor variabilidade da frequência cardíaca entre pessoas com depressão ou ansiedade, indicando menor capacidade de adaptação do coração ao estresse. O quadro sugere maior predisposição a eventos cardíacos.

A pesquisa também detectou aumento da proteína C-reativa, marcador inflamatório no sangue, em indivíduos com depressão ou ansiedade. Níveis elevados indicam inflamação sistêmica associada a maior risco de infarto e AVC.

Os autores destacam que, embora os exames PET/TC sejam caros e não rotineiros, os achados ajudam a entender a ligação entre saúde mental e cardiovascular. Em conjunto, eles defendem tratamento precoce da ansiedade e depressão como estratégia de prevenção.

Em síntese, o estudo aponta que depressão e ansiedade vão além de hábitos de vida: envolvem mecanismos biológicos que elevam o risco cardíaco. Priorizar acompanhamento médico e intervenções de estilo de vida pode reduzir eventos cardiovasculares e melhorar a qualidade de vida.

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