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A antiga reserva soviética onde leopardos-das-neves vagam

Na reserva de Gissar, Uzbequistão, câmeras registram leopardo-dos-nevados, evidenciando habitat protegido e necessidade de cooperação transfronteiriça para conservação

Michaela Strachan and the Gissar rangers celebrate spotting the elusive snow leopard on camera trap footage
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  • Em Uzbequistão, na reserva estadual de Gissar, 810 quilômetros quadrados, a equipe passou sete dias buscando a onça-das-neves, conhecida como “fantasma da montanha”.
  • Com temperatura de cerca de menos seis graus Celsius, câmeras-armadilha registraram sinais da espécie pela primeira vez na região durante a expedição.
  • Globalmente, estima-se entre quatro mil e seis mil onças-das-neves, com parte de seu habitat fora de áreas protegidas; a espécie é furtiva e de hábitos solitários.
  • A reserva de Gissar, criada em mil nona?—1985, como zapovednik, foi uma das grandes áreas protegidas da antiga União Soviética, com restrições de acesso e foco na proteção de ecossistemas.
  • A conservação envolve cooperação internacional, com o programa Global Snow Leopard and Ecosystem Protection Program, monitoramento transfronteiriço e planos de engajamento com comunidades para reduzir conflitos com pastores. Em Gissar, há 61 onças-das-neves registradas pela monitorização.

Em uma reserva da era soviética nas montanhas magníficas do Uzbequistão, Michaela Strachan e India Latham registraram sinais raros do lince-dos-orenos, o snow leopard. A expedição durou sete dias, com buscas em áreas de proteção no Gissar State Nature Reserve.

A equipe iniciou em Samarcanda, com o guia Inom Isroilov, que mostrou não apenas a arquitetura da cidade, mas a presença simbólica do lince na região. O turismo na área de fronteira tem aumentado desde 2016, mas as zonas centrais permanecem controladas.

A reserva de Gissar, maior área protegida do Uzbequistão, abrange 810 km² e foi criada em 1985, ainda na era soviética. O objetivo é preservar ecossistemas montanhosos sob restrições de acesso para pesquisadores e rangers.

Durante o acompanhamento, a equipe instalou mais de 70 armadilhas fotográficas para mapear movimentos de felinos. Cientistas ressaltam a importância da cooperação entre países para proteger o lince, que percorre diversas nações da região.

Entre as testemunhas locais, o pastor Askar Khasanovich Shermatov descreve o lince como uma espécie bela e assustadora. Ele afirma que, quando há presas suficientes, os animais não atacam rebanhos, o que facilita o convívio.

A pesquisadora Mariya Gritsina destaca que, apesar das dificuldades, o lince deixa pistas de sua presença e demonstra que a região possui um ecossistema saudável. Observações locais indicam sinais como pegadas e fezes.

Dados do próprio Parque mostram que, desde os anos 80, a população de snow leopards na área tem apresentado aumento gradual. Atualmente, o inventário indica cerca de 61 indivíduos no Gissar.

Especialistas ressaltam que um terço do habitat global do lince fica fora de áreas protegidas, aumentando a necessidade de monitoramento transfronteiriço. O programa GSLEP coordena esforços entre países da região.

Na prática, rangers continuam trabalhando em condições desafiadoras, com dados científicos compartilhados e comunidades locais buscando formas de convivência. A presença do animal, ainda que rara, é comprovada por evidências científicas.

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