- Um estudo publicado na Science avaliou se o efeito Bouba-Kiki ocorre em pintinhos recém-nascidos, em dois grupos de idade: três dias e vinte e quatro horas.
- No primeiro grupo, 42 pintinhos foram treinados com painéis ambíguos e, no teste, 66% circundaram o formato redondo ao ouvir “bouba” e 56% o pontiagudo ao ouvir “kiki”.
- No segundo experimento, 40 pintinhos sem quase nenhuma ambientação prévia exploraram imagens ambíguas; ao ouvir “bouba” passaram mais tempo na área redonda (199 s) e, ao ouvir “kiki”, mais tempo na área pontiaguda (144 s).
- Em comparação, estudos com primatas não humanos não mostram o efeito Bouba-Kiki, sugerindo variações metodológicas ou diferenças evolutivas.
- As pesquisadoras defendem que o resultado pode indicar uma organização cerebral comum a várias espécies, mas ressaltam que são necessários mais estudos para confirmar.
O estudo publicado na revista Science investigou se o efeito Bouba-Kiki, conhecido na linguagem humana, também se aplica a animais. Pintinhos recém-nascidos foram usados para testar a associação entre sons e formatos visuais. A pesquisa questiona se a relação som-forma é exclusiva dos humanos ou tem raízes mais universais.
Pesquisadoras da Universidade de Pádua conduziram dois experimentos com pintinhos de três dias e de 24 horas. A finalidade foi observar se a audição de Bouba ou Kiki influencia a escolha de formatos ambíguos. Os resultados apontam para padrões consistentes entre as duas faixas etárias.
Contexto do efeito Bouba-Kiki
O Bouba-Kiki descreve a tendência de associar formas arredondadas a nomes suaves e formas pontiagudas a sons mais abruptos. A observação ocorre em diversas culturas humanas e permanece até em bebês que ainda não falam. A origem histórica do conceito remonta a Köhler e a estudos de Ramachandran e Hubbard.
Experimentos com pintinhos
No primeiro experimento, 42 pintinhos passaram por treinamento para reconhecer um painel ambíguo que garantia alimento ao redor dele. Após a ambientação, sanduíches de formas redondas e pontiagudas foram exibidas sem recompensa para o teste auditivo.
Durante o teste, ao ouvir Bouba, 66% dos pintinhos contornaram a área redonda; ao ouvir Kiki, 56% preferiram a ponta. O segundo grupo, com 40 pintinhos, foi menos exposto ao ambiente, ainda assim mostrou preferência por Bouba na forma redonda (199 segundos) versus pontiaguda (57 segundos).
Resultados e interpretações iniciais
Os autores destacam que, diferentemente de alguns estudos com primatas, o efeito apareceu em pintinhos. A diferença entre estudos pode residir em metodologias distintas, não em uma falha única. A leitura é de que o fenômeno pode depender de organização neural compartilhada entre espécies.
Implicações e próximos passos
Pesquisas sugerem que o Bouba-Kiki pode refletir uma organização cerebral profunda, associando propriedades físicas do mundo a estruturas sonoras. Ainda não há confirmação de replicação entre espécies não humanas. Mais estudos são necessários para validar ou contestar essa hipótese.
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