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Pinguins se reproduzem mais cedo na Antártida aquecida, aponta estudo

Com o aquecimento na península antártica, pinguins adiantam a reprodução em mais de dez dias, gerando descompasso com as presas e maior competição entre espécies

Study co-author Tom Hart changes the batteries on a remote camera. Penguin Watch’s camera network includes more than 77 cameras that monitor penguin colonies year-round, providing a wealth of data.
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  • De 2012 a 2022, três espécies de pinguins na península Antártica passaram a iniciar a reprodução mais cedo, acompanhando o aquecimento da região, com uso de câmeras remotas em 37 colônias.
  • Gentoo adiantou a reprodução em média treze dias; chinstrap e Adélie, em cerca de dez dias cada um.
  • O estudo foi liderado pelo Penguin Watch, da Universidade de Oxford, e publicado no Journal of Animal Ecology.
  • As mudanças são entre as mais rápidas já registradas em aves, associadas ao aumento das temperaturas e à alteração do gelo marinho.
  • Autoridades apontam riscos de descompasso entre reprodução e disponibilidade de presas, além de maior competição por krill entre espécies, agravado pela pesca na região.

Nos últimos 10 anos, pesquisadores observaram mudanças no timing da reprodução de três espécies de pinguins na Península Antártica e ilhas próximas, em resposta ao aquecimento da região. O estudo utilizou câmeras remotas entre 2012 e 2022 para acompanhar 37 colônias e registrar o momento em que os pinguins começaram a ocupar de forma contínua seus ninhos. O trabalho faz parte do Penguin Watch, da Universidade de Oxford e da Oxford Brookes University, e foi publicado no Journal of Animal Ecology.

Gentoo, chinstrap e Adelie ajustaram o início da postura, com variações entre as colônias. Em média, os gentoo começaram a reprodução 13 dias mais cedo, em alguns locais mais de três semanas. Os chinstraps e Adelies anteciparam 10,4 e 10,2 dias, respectivamente. As mudanças são consideradas entre as mais rápidas já registradas em aves.

Os pesquisadores destacam que a adaptação acelerada ocorre diante do aquecimento e da mudança na concha de gelo marinho. Ainda não há certeza sobre impactos específicos na sobrevivência dos filhotes, mas os dados já apontam alterações no comportamento reprodutivo em uma área extensa.

A pesquisa aponta riscos potenciais, como o descompasso fenológico: se a reprodução avança mais rápido que a disponibilidade de presas, pode haver escassez de alimento durante a criação dos filhotes. Além disso, o aquecimento deve aumentar a competição por recursos entre as espécies, que respondem de forma distinta às mudanças climáticas.

Entre as espécies, os gentoo mostraram maior variação no timing reprodutivo, o que pode indicar uma maior capacidade de resposta a mudanças ambientais. Adelie e chinstrap, por sua vez, apresentam declínio em grande parte da península, enquanto os gentoo expandem seu alcance para o sul.

Além do estudo, especialistas ressaltam a importância de reduzir pressões indiretas, como pesca de krill na região. A CCAMLR estabelece limites de captura; em 2023, Noruega liderou a captura, seguida por China e Coreia do Sul. A atividade ocorre em áreas frequentadas por pinguins, elevando preocupações sobre disponibilidade de alimento.

Para entender impactos futuros, o estudo continua analisando dados sobre sobrevivência de filhotes. Os autores destacam que pinguins são indicadores úteis de alterações no ecossistema do Southern Ocean, e que mudanças no comportamento reprodutivo podem sinalizar impactos mais amplos do aquecimento global.

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