- O geólogo Alexandre Rocha da Rocha afirma ter descoberto oito depósitos de terras raras no Brasil, incluindo os primeiros no país desse tipo de minério.
- As reservas identificadas são acompanhadas pela Serra Verde, da Denham Capital, que recebeu financiamento do governo dos Estados Unidos, e pela Brazilian Rare Earths, que fez IPO na Bolsa australiana no fim de 2023.
- A primeira jazida brasileira de terras raras foi encontrada em Goiás, associada a argilas, com confirmação por teste de lixiviação e validação de dados do Serviço Geológico Brasileiro (SGB).
- Rocha já tentou vender o projeto à MMX, de Eike Batista, e à Vale, mas não houve interesse; a Denham investiu na ideia posteriormente.
- O pesquisador ressalta a necessidade de verticalizar a cadeia de produção no Brasil para manter valor agregado no país, citando a dependência de fabricação e remessa de matérias para a China.
O geólogo Alexandre Rocha da Rocha revelou, com base em dados públicos, a identificação dos primeiros depósitos de terras raras no Brasil. Os achados estão ligados a projetos da Serra Verde, da Denham Capital, e da Brazilian Rare Earths, que abriu capital na Bolsa australiana no fim de 2023, ampliando o interesse internacional pelo tema.
Rocha afirma ter atuado há 43 anos na área e já ter encontrado 18 depósitos no Brasil. No início, migraram-se os trabalhos para terras raras após pesquisas em cobre em 2007 e o aporte da Denham. Em 2010, o grupo decidiu buscar terras raras após orientação de um consultor austríaco.
O primeiro depósito ocorreu em Goiás, na região de Minaçu, a partir de dados liberados pelo Serviço Geológico do Brasil e de levantamentos aerogeofísicos. O local envolveu uso de gama-espectrômetro e amostragens que confirmaram a presença de terras raras associadas a rochas íonicas na Serra Verde.
Primeiro avanço e parcerias
A iniciativa de Rocha teve rejeição inicial de grandes empresas, como MMX e Vale, em torno de 2012. A Denham assumiu a partir daí e financiou a exploração, com participação de chineses que já atuavam no setor.
A Brazilian Rare Earths entrou no circuito, com a identificação de novas áreas na Bahia. Em 2023, o projeto recebeu financiamento e realizou o IPO, avaliando o ativo em cerca de US$ 1,2 bilhão; o depósito ficou conhecido como Rocha da Rocha.
Potencial e próximos passos
Segundo o geólogo, existem pelo menos oito áreas com potencial de terras raras no Brasil, com mais projetos por vir. A fala de Rocha aponta a necessidade de verticalizar a cadeia produtiva para manter valor no país.
O especialista ressalta a importância de laboratórios, conhecimento de mineralogia e geoquímica, além de infraestrutura para processamento. Ele cita a prática de enviar amostras ao exterior como etapa necessária hoje.
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