- Grupo de pesquisadores pediu a revisão da decisão do Tribunal Regional Federal da primeira região que autorizou o abate de jumentos, defendendo a suspensão imediata por risco de extinção, maus-tratos e problemas econômicos.
- Abate de jumentos no Brasil (para couro e carne), ligado à demanda chinesa pelo ejiao, continua sob discussão, mesmo com suspensões formais na Bahia desde 2020; decisão recente justificou pela importância econômica para cidades com abatedouros.
- Estudos mostram queda de quarenta e nove trilhões? (corrigir: 94%) a parcela populacional de jumentos entre 1996 e 2024, indicando possível extinção se nada mudar.
- Documento aponta que a maior parte dos jumentos é capturada na natureza, com baixa taxa reprodutiva e gestação de 12 meses, além de ausência de cadeia produtiva organizada e riscos sanitários.
- Peso médio das peles exportadas foi de 3,8 kg por unidade, sugerindo irregularidades comerciais; recomendação inclui reconhecer o jumento nordestino como patrimônio e adotar políticas de conservação.
Os jumentos do Brasil, trazidos no período colonial, vivem hoje cenário de risco: especialistas pedem a suspensão do abate de jegues, considerado inviável economicamente e potencialmente prejudicial à biodiversidade. Carta aberta de cientistas foi publicada para frear a prática.
Segundo pesquisadores de várias áreas, incluindo veterinária e genética, o abate é apoiado por decisões judiciais e por um marco regulatório de 2019, vigente mesmo com suspensão formal na Bahia desde 2020. A carta afirma que a continuidade do abatimento pode ampliar o risco de extinção do jumento no país.
A situação populacional é alarmante: a população de jumentos caiu 94% entre 1996 e 2024, conforme dados da FAO, IBGE e Agrostat. Se nada for feito, especialistas veem extinção possível, com impactos sociais, ambientais e econômicos.
Contexto histórico e econômico
A prática de abater jumentos visa principalmente à produção de couro e carne para atender mercados externos, como a China, que consome couro para o ejiao. O documento aponta que a indústria é pouco relevante para a economia nacional e não gerou ganhos expressivos em exportações.
O grupo de pesquisadores destaca ainda falhas no controle sanitário, relatos de maus-tratos, e a captura de animais na natureza, já que a reprodução do jumento é lenta, com gestação de cerca de 12 meses. O texto classifica a atividade como extrativista e de uso insustentável de recursos.
Análise técnica e recomendações
Os signatários apontam que o peso das peles exportadas é, em média, de 3,8 kg por animal, indicativo de irregularidades no comércio e possível perda fiscal. Um estudo com 104 jumentos abatidos mostrou problemas de saúde e falhas no monitoramento sanitário que poderiam facilitar a transmissão de doenças.
A carta defende o reconhecimento do jumento nordestino como patrimônio genético, cultural e ambiental. Propõe políticas públicas voltadas à conservação da espécie e a suspensão imediata do abate até novas avaliações científicas independentes.
Desdobramentos e próximos passos
Os cientistas solicitam revisão da decisão do TRF1, que manteve o abatimento por considerar a importância econômica para cidades com abatedouros. A mobilização envolve universidades como USP, Unesp e UFBA, entre outras instituições, e reforça o debate sobre conservação, bem-estar animal e conformidade jurídica.
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