- Com a aproximação do Dia Mundial da Vida Selvagem, plantas medicinais e aromáticas em habitat natural ganham destaque, pois muitas espécies dependem da coleta para saúde, nutrição e meios de subsistência, enfrentando risco de extinção.
- A OMS aponta a importância dessas plantas na saúde em países em desenvolvimento, onde até 95% das pessoas dependem da medicina tradicional para o cuidado básico.
- Segundo a IPBES, plantas, algas e fungos silvestres fornecem alimento, diversidade nutricional e renda para cerca de um quinto da população mundial, especialmente mulheres, agricultores sem terras e pessoas vulneráveis.
- Espécies comuns como ginseng americano, alcaçuz, argan, candelilla e incenso estão no dia a dia, em despensas, prateleiras de medicamentos e lavabos, embora muitas vezes passem despercebidas.
- A avaliação global de conservação abrange apenas parte das plantas medicinais e aromáticas usadas; muitas estão ameaçadas pela colheita excessiva, revelando a necessidade de políticas de biodiversidade mais inteligentes e cadeias de suprimento sustentáveis e transparentes.
O Dia Mundial da Vida Selvagem se aproxima, em 3 de março, com foco em plantas medicinais e aromáticas silvestres. Elas ajudam a saúde, a nutrição e a renda de milhões, mas muitas espécies enfrentam risco de extinção devido à coleta indiscriminada.
Essas plantas crescem na natureza e são utilizadas em medicamentos, cosméticos e alimentos. A Organização Mundial da Saúde destaca a importância delas em países em desenvolvimento, onde até 95% da população depende de medicina tradicional.
IPBES aponta que plantas, algas e fungos fornecem alimento, diversidade nutricional e renda para cerca de um quinto da população mundial, especialmente mulheres, agricultores sem terra e outras pessoas em situação vulnerável.
Entre espécies comuns estão ginseng americano, alcaçuz, argão, candelilla e incenso. Elas costumam estar presentes em prateleiras e armários, porém ficam pouco visíveis no cotidiano.
A avaliação global de conservação cobre apenas uma fração dessas plantas medicinais e aromáticas. Entre as espécies analisadas, muitas estão ameaçadas pela sobreexplotação, o que pode representar um quadro maior ainda não documentado.
Desafios e políticas
O risco de extinção preocupa milhões de agricultores rurais, muitas vezes marginalizados, que dependem da coleta, processamento e comercialização para a renda, sobretudo mulheres. A perda implica impactos econômicos diretos e na conservação de ecossistemas.
Para enfrentar o problema, são necessárias políticas e intervenções que integrem biodiversidade, conservação e uso sustentável, reconhecendo o valor das plantas para ecossistemas saudáveis, vidas e meios de subsistência.
Empresas devem compreender os riscos de biodiversidade e de meios de subsistência locais em suas cadeias de suprimento, promovendo cadeias legais, transparentes e rastreáveis para esses ingredientes.
Em Nepal, parcerias locais já demonstram resultados: proteger espécies listadas pela CITES, como jatamansi, aumenta a renda e beneficia principalmente as mulheres, a partir de melhores condições de comércio. A experiência está sendo ampliada para outras espécies no Himalaia.
Essa abordagem busca conciliar conservação da natureza, saúde e meios de subsistência. O comércio sustentável pode gerar mudanças reais e duradouras para comunidades e ecossistemas.
Para o Dia Mundial da Vida Selvagem, a postura é de tornar o comércio mais eficiente, justo e responsável, beneficiando pessoas e o planeta.
Richard Scobey é diretor executivo da TRAFFIC, organização que monitora o comércio global de animais e plantas silvestres.
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