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Júlia Leão utiliza impressão 3D para remédios sob medida

Impressão 3D de remédios sob medida avança no Brasil, com piloto no Hospital de Clínicas de Porto Alegre para animais, crianças e idosos

Fotografia da cientista Júlia Leão.
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  • Júlia Leão, pesquisadora gaúcha, utiliza impressão 3D para produzir medicamentos sob medida para animais, crianças, idosos e pacientes com necessidades específicas, adaptando doses e formatos.
  • O processo imprime uma formulação em gel com o princípio ativo, camada por camada, permitindo alterar dose, tamanho e textura sem mudar moldes.
  • A startup Formula3D, criada por ela e colegas, trabalha em parceria com o Hospital de Clínicas de Porto Alegre para fabricar medicamentos no local, conforme a necessidade de cada paciente, em fase piloto.
  • A iniciativa é considerada a primeira desse tipo na América Latina e visa validar a aplicação clínica antes de expansão.
  • Júlia foi vencedora da sexta edição do programa 25 Mulheres na Ciência, da 3M, que destacou projetos liderados por pesquisadoras na América Latina.

Júlia Leão, pesquisadora gaúcha, utiliza impressão 3D para criar remédios sob medida. Nascida em Santa Cruz do Sul, RS, ela cresceu observando feiras científicas e campanhas de descarte correto de medicamentos vencidos. A curiosidade pela ciência começou ainda na infância.

Ao longo da formação, ela atuou em pesquisas sobre genética de tuberculose em presídios, tratamento de resíduos com microalgas e, mais tarde, viu na manipulação veterinária a lacuna de fármacos personalizados. Esses caminhos a levaram a buscar soluções que atendam animais e pacientes com necessidades específicas.

Impressão 3D de medicamentos

Ao concluir a graduação, Júlia ingressou no mestrado em Ciências Farmacêuticas na UFRGS e integrou o grupo Nano3D, liderado por Ruy Beck. A técnica de impressão 3D, ainda pouco conhecida no Brasil, passou a central de seu trabalho.

O princípio funciona com uma formulação em gel armazenada em uma seringa acoplada à impressora, que deposita o material camada a camada para formar a dose desejada. A vantagem é adaptar formatos, tamanhos e texturas, facilitando a administração.

Além de ajustar doses, a tecnologia permite personalizar para diferentes espécies e faixas etárias, como crianças, idosos e pacientes com dificuldade de deglutição. A flexibilidade evita a necessidade de múltiplas linhas de produção.

Formula3D e aplicação clínica

Durante o mestrado, Júlia e colegas fundaram a Formula3D, uma deeptech voltada à produção de medicamentos personalizados por impressão 3D. A iniciativa já trabalha com o Hospital de Clínicas de Porto Alegre, implantando a tecnologia na prática clínica interna.

O projeto está em fase piloto, sem disponibilidade comercial ou para aquisição por outras instituições. O objetivo é validar o funcionamento no ambiente hospitalar e coletar dados para expansão futura, sendo a primeira iniciativa do tipo na América Latina.

Em entrevistas, a pesquisadora destaca que a transição da pesquisa para aplicação prática enfrenta desafios técnicos, de financiamento e de adequação ao sistema de saúde. Ela também cita obstáculos relacionados ao preconceito de gênero no meio científico.

A premiação internacional reconhece a relevância do trabalho. Júlia foi vencedora da 6ª edição do programa 25 Mulheres na Ciência, pela 3M, que aponta projetos liderados por pesquisadoras para transformar processos produtivos na América Latina.

Para ela, o prêmio serve para popularizar a tecnologia e reforçar que a ciência precisa caminhar além de artigos, buscando soluções concretas no mundo real.

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