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A década de conflito no Camarões coloca chimpanzés e conservacionistas em risco

Sequestro de fundador de ONG ambiental evidencia risco a pesquisadores e áreas protegidas, agravando a proteção de gorilas e chimpanzés no Camarões em conflito

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  • Em agosto de 2025, Louis Nkembi, fundador da ONG ERuDeF, foi sequestrado por milícias nas Highlands de Lebialem, Camarões, ficou duas semanas escondido na floresta e foi libertado.
  • O caso ilustra os riscos enfrentados por cientistas, guardas florestais e trabalhadores de conservação que atuam na proteção de primatas na região em conflito.
  • Lebialem é uma área de biodiversidade que abriga gorilas de Cross River, chimpanzé Nigeria-Cameroon, elefantes e outras espécies; áreas protegidas foram afetadas desde o início do conflito, em 2016.
  • O conflito anglófono já deixou milhares de mortos e centenas de milhares de deslocados, levando à suspensão de operações de conservação e ao declínio de financiamento.
  • Diante da crise, pesquisadores passaram a apoiar-se em cientistas cidadãos para manter o trabalho, enquanto deslocados ocupam áreas anteriormente florestais para sobrevivência.

Louis Nkembi, fundador da ONG de conservação ERuDeF, foi sequestrado por milícias em agosto de 2025, nas Terras Altas Lebialem, Camarões. Mantido por duas semanas em um local secreto na floresta, ele foi libertado após o cerco. O episódio evidencia os riscos enfrentados por pesquisadores e guardas de conservação na região.

Lebialem é um hotspot de biodiversidade no sudoeste do país, abrigando gorilas das Cross River, chimpanzés Nigeria-Cameroon, elefantes-da-floresta, leopardos e diversas espécies ameaçadas. Nkembi dedica quase três décadas ao estudo e à proteção da área por meio da ERuDeF, criada em 1999.

Contexto do conflito

O conflito armato começou em 2016, após protestos contra o uso do francês na educação e nos tribunais nas regiões anglófonas. Milícias separatistas responderam, criando o que ficou conhecido como Ambazônia, com combates entre forças do governo e milícias.

Mais de 6 mil civis morreram e mais de 600 mil foram deslocados; quase 1,7 milhão de pessoas necessitam de ajuda humanitária. Conservação e operações ambientais também foram atingidas pela violência.

Impactos diretos na conservação

Em abril de 2017, a ERuDeF interrompeu atividades por risco de violência e sequestros. Mais de 100 trabalhadores foram afetados e houve queda total de financiamento. A partir de 2021, alguns recursos voltaram, mas o sequestro de Nkembi gerou dúvidas entre doadores.

Milícias transformaram partes de áreas protegidas em bases de operações, aumentando ataques de forças governamentais. Animais silvestres sofrem com tiros, derrubada de árvores e perturbação de habitats devido aos combates.

Vida no terreno e alternativas

Centenas de civis vivem em acampamentos na floresta para escapar dos confrontos. Moradores relatam coerção para pagar taxas a milícias e recrutamento de jovens para atividades armadas. As comunidades sofrem deslocamento contínuo entre as fronteiras Camarões-Nígeria.

Para continuar a pesquisa, muitos cientistas passaram a treinar cientistas cidadãos. Eles recebem câmeras, GPS e ferramentas de coleta de dados para monitorar espécies e ameaças de forma comunitária.

Perspectivas futuras

Especialistas dizem que a restauração de ecossistemas pode levar décadas, dadas as mudanças trazidas pela crise. A recuperação depende de financiamento estável e cooperação com organizações humanitárias para apoiar comunidades deslocadas e delimitar áreas protegidas.

O desafio é recuperar a capacidade institucional das ONGs, com equipes dispersas ou fora do país, mantendo o foco na conservação de primatas e na proteção de habitats. Nkembi destaca a necessidade de reconstruir a base de conservação e buscar soluções duradouras para as populações locais.

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