- Superidosos, pessoas com oitenta anos ou mais, tinham aproximadamente o dobro de neurônios recém-formados no hipocampo do que idosos com memória normal e 2,5 vezes mais do que pessoas com doença de Alzheimer.
- A pesquisa buscou sinais de neurogênese ao examinar três tipos de células no cérebro: células-tronais neurais, neuroblastos e neurônios imaturos.
- Os resultados indicam que o cérebro envelhecido pode manter plasticidade se houver neurogênese, com neurônios imaturos apresentando características genéticas únicas que ajudam a resistir ao envelhecimento.
- Entre os grupos estudados, pessoas com Alzheimer tiveram mais células-tronais neurais, mas muito menos neuroblastos e neurônios imaturos, sugerindo interrupção da neurogênese.
- Especialistas ressaltam que a neurogênese pode abrir caminhos para o tratamento do Alzheimer, mas observam que há outras diferenças cerebrais entre superidosos e idosos que vão além dessa dinâmica.
O cérebro de pessoas chamadas superidosas pode abrigar uma neurogênese mais ativa do que a observada em idosos comuns. Um estudo publicado na revista Nature sugere um elo entre memória preservada e a produção de novos neurônios na idade avançada.
Os pesquisadores analisaram o hipocampo, área-chave para aprendizado e memória. Constatou-se que indivíduos com 80 anos ou mais, produtivos cognitivamente, tinham o dobro de neurônios imaturos em comparação com idosos com memória normal para a idade e 2,5 vezes mais do que pessoas com Alzheimer.
Os autores destacam que o cérebro envelhecido ainda é plástico, mesmo na velhice. Eles identificaram marcadores de células-tronco neurais, neuroblastos e neurônios imaturos em cérebros de jovens adultos, indicando uma sequência de desenvolvimento contínuo dessas células.
Em idosos, todos os grupos estudados apresentaram esses três tipos celulares, porém em quantidades distintas. Entre os superidosos, a abundância de neurônios imaturos foi significativamente maior, sugerindo maior capacidade de amadurecimento dessas células.
Os investigadores apontam que essas células imaturas dos superidosos exibem padrões genéticos e epigenéticos que as tornam mais resistentes ao envelhecimento. A preservação dessas células pode contribuir para desempenho cognitivo superior ao esperado para a idade.
Alguns especialistas admitem cautela. Eles ressaltam que há outras diferenças cerebrais em superidosos, como maior volume de áreas não diretamente ligadas à neurogênese e maior conectividade entre regiões, que também influenciam o funcionamento cerebral.
Entre os idosos com Alzheimer, o estudo mostrou mais células-tronco neurais, porém menos neuroblastos e neurônios imaturos. A interpretação é que a neurogênese pode estar interrompida no estágio de desenvolvimento dessas células.
Caso confirmado, a descoberta abre caminhos para novas estratégias contra o Alzheimer, incluindo a possível reativação de células-tronco dormentes. Pesquisadores destacam que novas investigações são necessárias para entender completamente o fenômeno.
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