- Em Malawi, a agroecologia avança entre pequenos produtores, com o SPRODETA oferecendo treinamentos em várias regiões, incluindo Mzimba, Rumphi e Karonga.
- No caso de Grena Banda e Daniel Mwafulirwa, a adoção de esterco, composto, rotação de culturas e consórcio de culturas elevou a produtividade e gerou excedentes para venda.
- A prática reduziu o custo com fertilizantes e ajudou famílias a enfrentar insegurança alimentar que antes era comum devido às mudanças climáticas e à degradação do solo.
- Autoridades distritais apoiam a agroecologia como estratégia de adaptação climática; a SPRODETA atende cerca de 150 agricultores nos três distritos e tem 10 agentes divulgando as técnicas.
- Em nível nacional, políticas e programas de financiamento visam expandir a agroecologia, com projetos de restauração de solo, agroflorestas e gestão de água.
MZIMBA, Malawi – Em Rumphi, no norte do país, uma família de agricultores trocou a dependência de fertilizantes químicos por práticas agroecológicas para reconstruir solo e renda. A mudança começou após anos de seca, chuva irregular e custos crescentes de insumos, que agravaram a insegurança alimentar.
Grena Banda e o marido, Daniel Mwafulirwa, viam a lavoura como única fonte de sustento, mas as safras rarely atingiam as necessidades da casa. A irregularidade climática afetava a produção e tornava os gastos com fertilizante inviáveis para a família.
A virada veio quando Banda participou de treinamentos promovidos pela SPRODETA, organização local que incentiva a autossuficiência rural. Aprendeu a usar esterco, compostos, resíduos de culturas, plantio consorciado e manejo eficiente da água.
Segundo Mwafulirwa, o uso de agroecologia permitiu produzir o suficiente para a família e ainda gerar excedente para venda. A adoção de práticas naturais restaurou a fertilidade do solo sem depender de insumos caros.
Uma mudança que se espalha
Em Malawi, a agricultura de base familiar sustenta a economia e acompanha pressões climáticas. O MVAC de 2025-2026 aponta cerca de 4 milhões de pessoas em insegurança alimentar aguda, cerca de 22% da população.
Relatos locais sugerem que a agroecologia reduz custos com fertilizantes e aumenta a produção de milho, com manejo que favorece a retenção de água e a diversificação de culturas e animais. A prática tem ganhado adesão em três distritos do norte.
Judith Chikoko, de 44 anos, descreve aumento de rendimentos com manejo adequado de espaço e adubação orgânica. John Nyangulu usa canteiros elevados, compostagem e captação de água para enfrentar a seca.
Apoio público e institucional
Autoridades distritais promovem a agroecologia como estratégia de adaptação climática. Em Rumphi, o diretor de agricultura enfatiza o uso de nitrogenação natural e a redução de químicos, embora reconheça limitações de recursos e mobilidade.
A SPRODETA trabalha com 150 agricultores nos três distritos do norte, articulando 10 agentes que disseminam conhecimentos. A organização destaca queda de mais de 40% no custo com fertilizantes e incremento de colheitas por acre.
Para a organização, a diversidade de culturas e a integração de animais fortalecem a produção de adubo, retenção de água e resiliência frente a secas. A transição é gradual, não imediata.
Perspectivas e políticas
Especialistas apontam que agroecologia aumenta segurança alimentar e equidade, promovendo pesquisa liderada por agricultores. Ainda assim, destacam a necessidade de políticas públicas estáveis e financiamento adequado para escalar as práticas.
No nível nacional, o Ministério da Agricultura reconhece a urgência de transformar os sistemas de produção. Planos incluem a integração da agroecologia na política de manejo de recursos e o desenvolvimento de uma estratégia nacional.
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