- Estudo publicado na revista Science aponta que o fluxo gênico entre neandertais e humanos modernos ocorreu principalmente entre machos neandertais e fêmeas humanas.
- A evidência vem do cromossomo X, que apresenta menos DNA neandertal em humanos modernos, sugerindo a direção dos cruzamentos.
- Pesquisadores destacam que não é possível reconstruir como esses encontros ocorreram na prática, apenas inferências genéticas sobre direções.
- O estudo também ressalta um desequilíbrio observado no material genético encontrado em fósseis neandertais, em relação aos humanos modernos.
- Dados anteriores, como pesquisa de 2018 na Nature, já indicavam cruzamentos ao longo de cerca de 30 mil anos, com DNA neandertal presente em não africanos.
Um estudo publicado na Science aponta que o cruzamento entre neandertais e humanos modernos ocorreu com maior frequência entre machos neandertais e mulheres humanas, a partir de sinais persistentes no cromossomo X. Os pesquisadores analisaram DNA antigo e identificaram um fluxo gênico não aleatório entre as populações.
A equipe relata que houve predominância de pares formados por machos neandertais e fêmeas humanas de anatomia moderna. A leitura do material genético sugere uma direção específica nesses encontros, com o cromossomo X servindo como principal indício. Estudos citados indicam que esse cromossomo apresenta menos DNA neandertal nos humanos modernos do que em outros cromossomos.
O cromossomo X dos humanos modernos tem menos DNA neandertal, enquanto o inverso ocorre nos neandertais. Como as mulheres possuem dois cromossomos X e os homens apenas um, a direção do cruzamento influencia o acúmulo de material genético ao longo de gerações. Os pesquisadores destacam ainda um desequilíbrio numérico observado nos fósseis neandertais.
Resultados e implicações do DNA
Os autores ressaltam que os dados genéticos não permitem reconstruir as situações práticas desses contatos, nem se houve violência, segredo ou migração de mulheres entre os grupos. A pesquisa não descreve cenários de interação, apenas aponta tendências genéticas.
Entre as medidas destacadas, há diferença marcante entre o cromossomo X e os demais cromossomos. Observa-se que, nos humanos modernos, não há traços neandertais no X, enquanto nos neandertais havia maior presença de DNA humano moderno nesse cromossomo. Esses padrões ajudam a entender a variação do DNA neandertal no genoma humano.
O estudo reforça o conceito de que o DNA neandertal representa parcela pequena, porém difundida entre populações fora da África subsaariana. Além de genes associados à proteção contra algumas doenças, o legado também pode estar relacionado à maior suscetibilidade a outras condições.
Contexto histórico da pesquisa
Pesquisas anteriores indicaram que o contato entre neandertais e humanos modernos ocorreu ao longo de milhares de anos, com evidências de várias etapas de cruzamento. Estudos de 2018, publicados na Nature, apontaram que a presença de DNA neandertal varia entre populações do leste da Ásia e da Europa, com médias ao redor de 2% e maior concentração em alguns grupos.
O novo estudo na Science complementa esse marco ao tentar explicar por que o DNA neandertal não está uniformemente distribuído no genoma humano, sugerindo que o cromossomo X carrega sinais da direção mais comum desses cruzamentos. Fontes citadas incluem Euronews e Olhar Digital.
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