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Genética revela causa de vasos cerebrais permeáveis na síndrome de Rett

Mutação em Rett leva à sobreexpressão de miRNA-126-3p, fragilizando vasos cerebrais; bloqueio da microRNA reverte parte do dano e indica possível tratamento

MIT scientists investigated how genetic mutations that cause the disorder Rett syndrome affect the brain’s blood vessels. The Rett syndrome endothelial cells seen here showed less expression of ZO-1 (green), a key protein for forming a tight seal in blood vessels, than control cells (not pictured).
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  • Pesquisadores do MIT identificaram que duas mutações comuns em MeCP2 associadas à síndrome de Rett elevam o miRNA-126-3p, fragilizando os vasos sanguíneos do cérebro em desenvolvimento.
  • Vasos com essas mutações apresentaram redução da proteína ZO-1 e leaking nas junções entre células endoteliais, em culturas vasculares 3D criadas a partir de células-tronco induzidas.
  • Ao diminuir o miRNA-126-3p com um tratamento antisense, houve aumento de ZO-1 e melhoria da barreira endotelial nas culturas.
  • Experimentos com neurônios expostos ao meio das culturas vasculares Rett mostraram menor atividade elétrica, sugerindo interferência vascular na função neural.
  • Os pesquisadores planejam testar o inibidor de miR-126, o miRisten, em modelos de camundongos para verificar possível benefício terapêutico.

Dois mutações comuns no gene MECP2 associadas à síndrome de Rett causam um encadeamento molecular que enfraquece o desenvolvimento dos vasos sanguíneos do cérebro, tornando-os permeáveis. O estudo, realizado por pesquisadores do MIT, aponta que o problema deriva da superexpressão de um microRNA específico, o miRNA-126-3p, e que reduzir seus níveis pode melhorar a barreira vascular.

A pesquisa utilizou culturas de tecido humano desenvolvidas a partir de células-tronco pluripotentes induzidas de pacientes com Rett. Os cientistas criaram redes vasculares 3D para observar vasos com as mutações R306C e R168X, comparando com culturas sem as mutações. As redes foram conectadas a microfluídica para simular circulação.

Os resultados mostraram queda na expressão da proteína ZO-1, essencial para selar as junções entre células endoteliais. Além disso, a localização do ZO-1 nos junços ficou comprometida, evidenciando vasculatura mais permeável nos vasos com Mutação Rett.

Quando astroglia foi adicionada para simular melhor a barreira hematoencefálica, o problema persistiu. Em culturas neurais expostas ao meio das amostras com Rett, houve redução na atividade elétrica dos neurônios, sugerindo que secreções das células endoteliais afetaram o funcionamento neuronal.

O que muda com o achado é a evidência de que miRNA-126-3p é regulado pela mutação MeCP2 e atua como mediador da disfunção endotelial. Ao reduzir o miRNA-126-3p com uma abordagem antisense, houve aumento de ZO-1 e melhoria parcial da barreira vascular, além de recuperação de caminhos moleculares envolvidos.

Os autores pretendem testar o composto miRisten, um inibidor de miR-126, em modelos murinos de Rett, para verificar se há benefício semelhante em animais. A pesquisa reforça a hipótese de que a disfunção vascular é uma característica central da doença.

Além de Osaki e Sur, integram a equipe de pesquisa os coautores Wan, Haratani, Jin, Campisi e Barbie. O estudo foi financiado por NIH, um MURI, The Freedom Together Foundation e o Simons Center for the Social Brain.

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