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Índice criado para avaliar saúde do solo em manguezais

Índice de Saúde do Solo avalia manguezais; áreas restauradas mostram recuperação gradativa e serviços ecossistêmicos próximos ao potencial, enquanto degradadas são inferiores

Brasil tem a 2ª maior área de mangue do planeta, atrás apenas da Indonésia.
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  • Pesquisadores criaram o Índice de Saúde do Solo (ISS) para medir a saúde do solo de manguezais em diferentes estágios de conservação.
  • O ISS varia de zero a um, sendo zero o pior estado e um o melhor, e pode apoiar gestores na definição de prioridades de conservação.
  • Ao ser aplicado no estuário do rio Cocó, no Ceará, o ISS mostrou manguezais maduros com valores próximos de um (0,99 ± 0,03) e áreas degradadas com 0,25 ± 0,01.
  • Áreas restauradas há nove e treze anos apresentaram valores intermediários (0,37 ± 0,01 e 0,52 ± 0,02), indicando recuperação gradual.
  • O estudo combina aspectos de carbono, contaminação, ciclagem de nutrientes e pode gerar mapas de saúde do solo para subsidiar ações de restauração e conservação.

Pesquisadores brasileiros desenvolveram o ISS, um índice que mede a saúde do solo de manguezais. A ferramenta avalia áreas degradadas, restauradas e preservadas, permitindo estimar serviços ecossistêmicos próximos da capacidade máxima. A publicação está na Scientific Reports.

O índice varia de 0 a 1, sendo 1 a melhor condição. Ele integra processos físicos, químicos e biológicos do solo, incluindo carbono, contaminants e ciclagem de nutrientes. Dados combinados indicam o estado funcional e o potencial de serviços ecossistêmicos.

Aplicado ao estuário do rio Cocó, no Ceará, o ISS mostrou contrastes: manguezais maduros chegaram a 0,99, enquanto áreas degradadas bateram 0,25. Regiões replantadas obtiveram, respectivamente, 0,37 e 0,52, indicando recuperação gradual.

Resultados

Manguezais restaurados a 9 e 13 anos apresentaram valores intermediários, com melhoria mais acentuada nas áreas mais antigas. A pesquisadora Laís Coutinho Zayas Jimenez explica que a escala facilita acompanhar o restabelecimento ecossistêmico frente à recuperação.

A autora destaca que o estudo traduz processos biogeoquímicos complexos em uma métrica simples para orientar gestores na tomada de decisão sobre conservação e restauração. A investigação nasceu da tese de doutorado da pesquisadora na Esalq-USP.

Carbono azul

Os manguezais, chamados de “florestas de carbono azul”, armazenam carbono orgânico no solo por décadas e atuam como importantes sumidouros. A pesquisa reforça o papel dos manguezais na mitigação climática, aliado à proteção de ecossistemas costeiros.

A equipe aponta ainda que mudanças no uso da terra e poluição ameaçam a funcionalidade desses estoques de carbono. O estudo integra o projeto BlueShore, ligado à USP, voltado a medir carbono e detectar metais pesados.

Perspectivas

Os autores defendem uso do ISS como ferramenta prática para políticas públicas. O objetivo é aplicar a metodologia a outras regiões do Brasil e mapear a saúde do solo de manguezais, ampliando o monitoramento e a gestão.

O texto científico de referência é Tracking mangrove restoration using a biogeochemical soil health index and ecosystem service indicators, disponível na natureza. A parceria envolveu pesquisadores da USP e da Fundação Florestal.

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