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Ganho de peso rápido em bebês aumenta risco de obesidade infantil

Estudo brasileiro com 1,7 milhão de crianças associa ganho de peso acelerado até os dois anos a maior probabilidade de obesidade, diabetes tipo dois e hipertensão na vida adulta

Ritmo em que uma criança engorda até os 2 anos de idade pode elevar o risco de obesidade infantil — Foto: Freepik
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  • Estudo brasileiro com cerca de 1,7 milhão de crianças aponta que ganho de peso acelerado até os 2 anos está associado a IMC mais elevado entre 3 e 9 anos, com 18,62% de sobrepeso e 6,77% de obesidade nesse grupo.
  • O rápido ganho de peso nos primeiros dois anos pode indicar maior risco de desenvolver obesidade, resistência à insulina e alterações no perfil lipídico no futuro.
  • O risco é maior entre bebês macrossômicos, ou seja, aqueles com peso ao nascer superior a 4 kg.
  • O período dos primeiros mil dias (gestação até os 2 anos) é decisivo para a programação metabólica e o desenvolvimento de tecidos adiposos e controles do apetite e do metabolismo.
  • Prevenção envolve amamentação exclusiva até os seis meses, introdução de alimentos in natura após esse período, sono adequado, atividade física compatível com a idade e monitoramento regular na atenção básica para identificar trajetórias de risco.

O ritmo de ganho de peso nos primeiros dois anos de vida pode indicar o risco de obesidade infantil no futuro. Estudo brasileiro acompanha cerca de 1,7 milhão de crianças e aponta associação entre ganho rápido de peso e IMC mais alto dos 3 aos 9 anos.

Quem participou: pesquisadores nacionais acompanharam crianças recém-nascidas e registraram pesos e medidas ao longo do tempo. O objetivo foi verificar se a velocidade de ganho de peso até os 24 meses está ligada a sobrepeso e obesidade na infância.

Quando e onde: o estudo analisou dados de nascimento até aos 9 anos, com base em informações nacionais. O acompanhamento incluiu crianças de várias regiões do Brasil, sem especificar unidades de cuidado em tempo real.

O que foi observado: crianças que cresceram de modo acelerado até os 2 anos apresentaram, em média, IMC mais elevado entre 3 e 9 anos. A prevalência de sobrepeso ficou em 18,62% e de obesidade em 6,77%, frente a crianças sem esse padrão.

Implicações do estudo

Os pesquisadores ressaltam que os primeiros mil dias são decisivos para a saúde metabólica. Nessa fase, ocorre a formação de tecido adiposo e padrões de apetite que moldam o metabolismo ao longo da vida.

Entre as explicações estão a programação metabólica e a maior suscetibilidade a resistência à insulina. O ganho rápido de peso pode levar a inflamação de baixo grau e a maior risco de diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares no futuro.

Peso ao nascer e recuperação de peso

Segundo os dados, o ganho rápido de peso pós-natal eleva o IMC futuro independentemente do peso ao nascer. O risco fica ainda maior em bebês macrossômicos, com peso inicial acima de 4 kg.

Bebês com baixo peso ao nascer também exigem cuidado: a recuperação de peso deve ocorrer de forma gradual, priorizando qualidade nutricional e potencial genético.

Prevenção e monitoramento

A cada 100 crianças de 0 a 9 anos, 32 apresentam excesso de peso. Mantida a tendência, metade das crianças e adolescentes pode estar acima do peso em 2035.

Para evitar ganho acelerado, políticas públicas de vigilância nutricional são importantes, incluindo aleitamento exclusivo até 6 meses e alimentação complementar baseada em alimentos in natura, sem adição de açúcar ou ultraprocessados.

Medidas de cuidado

Rotinas de sono adequadas, incentivo à atividade física e respeito aos sinais de fome e saciedade são essenciais. Em famílias vulneráveis, acompanhamento nutricional e educação alimentar podem quebrar ciclos de desnutrição e sobrepeso.

O monitoramento na atenção primária ao longo da primeira infância facilita a identificação precoce de trajetórias de risco. Curvas de crescimento e educação alimentar contínua ajudam a prevenir padrões metabólicos adversos.

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