- Gravação de março de 1949, perto das Bermudas, pode ser o registro mais antigo já encontrado do canto de baleia-jubarte.
- O áudio foi captado a bordo do navio Atlantis, em testes de sonar e experimentos acústicos da Instituição Oceanográfica Woods Hole (WHOI) em parceria com o Escritório de Pesquisa Naval dos Estados Unidos.
- Um hidrofone submerso e um gravador Gray Audograph registraram os sons, que foram preservados em um disco plástico e apenas recentemente redescobertos durante a digitalização de arquivos do WHOI.
- A descoberta permite comparar vocalizações das jubartes de então com registros posteriores e entender como o oceano mudou em quase oitenta anos, especialmente em relação ao ruído humano.
- A equipe do WHOI, junto à Ocean Alliance, busca situar o áudio de 1949 em uma série histórica e investigar a evolução das vocalizações e o impacto do aumento do ruído no oceano.
O material gravado em março de 1949, próximo às Bermudas, pode ser o registro mais antigo já encontrado do canto de uma baleia-jubarte. A gravação teve origem em testes de sonar realizados a bordo do navio Atlantis, da Instituição Oceanográfica Woods Hole (WHOI), em parceria com o Escritório de Pesquisa Naval dos EUA.
Para registrar os sons do mar, utilizou-se um hidrofone conectado por cabo ao navio, com o sinal gravado em um Gray Audograph, dispositivo comum na década de 1940. Naquele contexto, a comunidade científica ainda não dominava plenamente a leitura de vocalizações subaquáticas.
O disco com a gravação permaneceu por décadas no acervo do WHOI, até ser redescoberto durante um processo de digitalização dos arquivos históricos. Pesquisadores e arquivistas perceberam que tinham um registro excepcional, ainda que com significado não plenamente entendido na época.
A descoberta, anunciada pelo WHOI, não se resume à raridade histórica. O material permite entender o oceano de quase 80 anos atrás, quando o ambiente marinho era menos barulhento antes da expansão do tráfego naval e do uso de sonares.
Contexto científico
A gravação facilita comparações entre vocalizações de jubartes de 1949 e as de períodos seguintes, ajudando a reconstruir a paisagem sonora do oceano na metade do século XX. Baleias dependem do som para navegação, alimentação, comunicação e reprodução, especialmente em meio aquoso onde a audição é crucial.
Para a diretora de Dados de Pesquisa do WHOI, Ashley Jester, preservar dados no momento da coleta é um investimento no futuro da ciência. O registro de 1949 ganha valor com o avanço da bioacústica e da oceanografia, bem como com melhorias na digitalização de acervos.
Parcerias e desdobramentos
Os pesquisadores trabalham com a Ocean Alliance, organização que reúne mais de 2.400 gravações de sons de baleias e do oceano, produzidas entre as décadas de 1950 e 1990. A comparação entre esses arquivos pretende situar o áudio de 1949 em uma linha do tempo mais ampla.
O objetivo é entender a evolução das vocalizações da baleia-jubarte e o impacto do aumento do ruído humano no oceano. Estudar essas mudanças pode fornecer indícios sobre como as espécies se adaptaram ao ambiente acústico ao longo do tempo.
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