- Mulheres de comunidades à beira da Bardiya National Park enfrentam aumento do conflito homem‑fauna, com ataques fatais ocorrendo durante atividades de subsistência diárias.
- A migração masculina por trabalho deslocou responsabilidades para as mulheres, que precisam coletar forragem, lenha e outros recursos em áreas de alto risco.
- Na temporada de inverno, ocorreram mortes repetidas: em dezembro de 2025 uma adolescente de 17 anos foi morta por um tigre, seguidas de outras fatalidades em áreas fora do parque.
- O Khata Corridor, trecho de floresta que liga Bardiya a santuários vizinhos, aparece como a principal zona de conflito, com grande parte dos ataques fatais nas bordas florestais.
- Apesar do sucesso na conservação de tigres, as mulheres permanecem pouco representadas nas políticas de conservação, e os custos humanos não são plenamente refletidos nas métricas oficiais.
O que aconteceu: moradores de Bardiya, no oeste do Nepal, realizaram um protesto na manhã de 6 de fevereiro na Administração Distrital. As cobranças foram por compensação, proteção de pessoas e oposição a ataques de leopardo.
Quem está envolvido: mulheres rurais que vivem às margens de florestas, comunidades Dalit, demais moradores da região e lideranças locais que acompanham os impactos da convivência com a vida selvagem.
Quando e onde: o protesto ocorreu em Bardiya, após uma sequência de ataques ocorridos ao longo do inverno, especialmente nas áreas de Madhuwan, junto às bordas do Bardiya National Park.
Por quê: a exposição ao conflito humano–animal aumenta com a migração masculina para trabalhos fora da região, que transfere atividades como capim, lenha e manejo de gado para as mulheres.
A temporada de ataques
Nos meses recentes, ataques fatais aconteceram durante atividades rotineiras, como cortar grama ou conduzir animais, em áreas de margens de florestas e zonas de amortecimento. A cada episódio, a sensação de risco se intensifica para as trabalhadoras.
Dados e contexto
Entre 2021 e 2025, doenças e mortes por encontros com animais ocorreram majoritariamente em florestas fora do parque. Mulheres são as maiores vítimas entre quem corta grama e coleta lenha, segundo registros oficiais.
O papel da migração
A migração masculina para obras na Índia e no Golfo reduziu o contingente de homens e elevou a responsabilidade sobre as mulheres. O fenômeno é descrito como feminização da agricultura, com peso maior sobre quem fica.
Zonas de maior risco
O corredor Khata, ligando Bardiya a uma reserva na Índia, surge como área com maior incidência de conflitos. Estudos apontam que acidentes são mais comuns nas bordas das florestas, onde a atividade humana se cruza com a passagem de animais.
Conversa com especialistas
Conservacionistas ressaltam que o foco não é apenas conter animais, mas assegurar meios de vida. Aumentar a segurança, oferecer compensação e planejamento de acesso a recursos seriam medidas relevantes.
Desafios políticos
O tema ganhou espaço nas campanhas eleitorais, com promessas de remoção de animais problemáticos. Especialistas alertam para riscos de desinformação e de que soluções duradouras passam por políticas de apoio às comunidades.
O que ainda se faz no dia a dia
Mesmo com o medo, as mulheres continuam indo ao bosque para coletar forragem e manter o sustento familiar. A rotina persiste, e a dúvida maior é como equilibrar segurança com sobrevivência diária.
O que se sabe sobre o panorama local
O número de mortes em Bardiya, nos últimos cinco anos, mostra que a região é uma das mais arriscadas entre áreas protegidas do Nepal. A convivência com a vida selvagem permanece uma urgência humana e ambiental.
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