- Autoridades na França e na Espanha prenderam oito suspeitos: seis franceses e dois espanhóis, ligados a um esquema transnacional de tráfico de civelas europeias.
- Os suspeitos seriam responsáveis por contrabandear mais de sete milhões de civelas avaliadas em seiscentos mil euros ao longo de dois anos.
- A investigação conjunta começou há cerca de um ano; em março de 2025, a Procuradoria de Bayonne abriu um inquérito sobre contrabando de civelas juvenis na bacia do rio Adour e no Golfo da Biscáfia.
- Em dezenove de março de 2026, cada acusado foi indiciado por participação em atividade criminosa, posse, transporte e exportação não autorizados de animais, além de falsificação; todos estão proibidos de pescar, e uma fiança de cem mil euros foi determinada para um deles.
- O caso envolve a atuação da Divisão Regional de Meio Ambiente, com apoio de outras agências francesas e da Guarda Civil espanhola, e evidencia que o tráfico de civelas continua apesar de regulamentações e proteção internacional.
Três jornalistas apuram que oito suspeitos foram detidos na França e na Espanha por integrar uma rede transnacional de contrabando de enguias europeias, consideradas critically endangered. A apreensão envolve mais de 7 milhões de eias, avaliadas em 600 mil euros, em um período de dois anos.
A operação envolveu seis franceses e dois espanhóis, que teriam comercializado as enguias de vidro, em especial ao seu transporte para aquicultura na China. A apuração aponta que o grupo misturava enguias capturadas irregularmente com as legalmente obtidas para burlar rastreabilidade.
A investigação começou há cerca de um ano. Em março de 2025, a Promotoria de Bayonne abriu um inquérito por suspeita de contrabando de enguias jovens no Vale do Adour e na Baía de Biscaya.
Os investigadores identificaram um coletivo internacional comandado por um coletor da região de Landes, que atuava para um atacadista francês. Segundo a Promotoria, ele lavava enguias de vidro obtidas de forma ilegal.
Ao longo de dois anos, as autoridades estimam que o grupo pescou e trafegou mais de duas toneladas de enguias de vidro para o empregador francês e, clandestinamente, para um atacadista espanhol.
Desdobramentos jurídicos
Em 12 de março de 2026, os oito suspeitos foram acusados de participação em atividade criminosa, posse, transporte e exportação não autorizada de produtos animais e falsificação. Todos estão proibidos de atividades de pesca, com fiança de 100 mil euros para um deles.
As enguias europeias (Anguilla anguilla) são alvo da demanda da culinária asiática, especialmente na China, onde são criadas em aquicultura após captura. O comércio internacional é rigidamente regulado desde 2009 pelo CITES e desde 2010 pela UE, que proibiu o comércio externo de eels.
Contexto regulatório e cooperação
A captura e comercialização ocorrem sob quotas na França, que autoriza 55 mil toneladas para a safra 2025-2026. Mesmo com a proibição de comércio externo, o contrabando persiste, com estimativas de até 100 toneladas de enguias de vidro traficadas anualmente na Europa.
A investigação envolveu a Divisão Regional de Meio Ambiente de Bayonne, além de OCLAESP, OFB, a seção PAU da Gendarmeria e a Guardia Civil espanhola. A promotoria ressaltou o empenho das autoridades no combate a crimes contra a biodiversidade.
Especialistas ouvidos destacam que a cooperação entre países é essencial para processar casos transnacionais. Ainda não houve divulgação de identidades, nem de condenações definitivas até o momento. As apurações continuam sob monitoramento judicial.
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