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Capsulas minúsculas podem tornar a radioterapia mais segura e eficaz

Projeto CarboNCT usa cápsulas de carbono com lítio-6 para tornar a radioterapia mais eficaz e menos agressiva às células saudáveis, com monitoramento por fluorescência

University of Aveiro develops innovative nanocapsules
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  • Pesquisadores da Universidade de Aveiro, Portugal, desenvolvem nanocápsulas de carbono para aprimorar a radioterapia contra o câncer.
  • O projeto CarboNCT aposta no lítio-6, em vez do boro-10, para tornar o tratamento mais eficaz e preciso.
  • As cápsulas transportam altas concentrações do isótopo ativo, com entrega controlada e menor impacto em tecidos saudáveis.
  • As nanocápsulas mostram biocompatibilidade, acumulam-se em células tumorais e são autofluorescentes, facilitando o monitoramento.
  • O trabalho envolve a Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e o Laboratório de Energia Nuclear Aplicada (LENA) da Universidade de Pavia; se os resultados se confirmarem, podem favorecer aplicações clínicas futuras e há expectativa de aumento de cerca de 20% nos casos de câncer em Portugal até 2040.

A equipe da Universidade de Aveiro, em Portugal, está desenvolvendo cápsulas de carbono em formato de nanocápsulas que prometem tornar a radioterapia mais segura e eficaz. O projeto CarboNCT investiga pela primeira vez o uso do lítio-6 como alternativa ao boro-10, elemento tradicional da técnica de Neutron Capture Therapy (NCT). A finalidade é aumentar a precisão do tratamento e reduzir danos aos tecidos saudáveis ao redor do tumor.

As cápsulas são multifuncionais e foram projetadas para transportar concentrações elevadas de isótopos ativos, ao mesmo tempo em que aumentam a segurança e a eficiência da terapia. Os pesquisadores trabalham na estabilidade da substância ativa e na entrega controlada, reduzindo possíveis efeitos tóxicos. Além disso, a fluorescência natural das nanopartículas permite monitorar a presença dentro das células durante o tratamento.

A pesquisa é conduzida pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e pelo Laboratório de Energia Nuclear Aplicada (LENA) da Universidade de Pavia, na Itália. A expectativa é que, se os resultados se manterem promissores, o método avance para aplicações clínicas e impulsione uma nova geração de fármacos para terapia por nêutrons.

Sobre o potencial terapêutico, os pesquisadores destacam que a reação nuclear desencadeada quando o elemento é atingido por nêutrons ocorre em escala extremamente localizada, atuando principalmente em células individuais. Esse atributo poderia aumentar a precisão do tratamento e diminuir efeitos colaterais.

Contexto nacional e internacional

A corrida por terapias mais precisas contra o câncer ganha fôlego em Portugal, com o foco em tecnologias que reduzam impactos em tecidos saudáveis. No cenário europeu, a NCT já é estudada há anos, mas o uso de lítio-6 representa uma mudança de paradigma. Dados regionais indicam que a incidência de câncer pode crescer no país nas próximas décadas.

No âmbito de Portugal, a incidência de novos casos de câncer é alta em determinadas instituições. Estima-se que, apenas no IPO de Porto, ocorram cerca de 10 mil novos diagnósticos por ano, reforçando a necessidade de investimentos em pesquisas que aprimorem diagnósticos e tratamentos.

Perspectivas futuras

Caso as evidências de eficácia e segurança se consolidem, o CarboNCT pode evoluir para ensaios clínicos. O objetivo é consolidar a nanotecnologia como pilar de uma nova geração de terapias que utilizem a captura de nêutrons para destruir células tumorais com maior precisão. A equipe ressalta que a monitorização por fluorescência facilita o acompanhamento do progresso do tratamento dentro das células.

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