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Indústria defende energia nuclear como estratégica para soberania

Brasil busca domínio do ciclo do urânio para soberania energética; Angra três depende de decisão do CNPE e custos elevados para a conclusão

Angra dos Reis (RJ), 20/06/2024 – Vista geral das Usinas de Angra 1 e Angra 2, na Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto (CNAAA), em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
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  • O Brasil vê a energia nuclear como estratégica para autonomia energética e soberania, tema discutido no Nuclear Summit pela Abdan.
  • Especialistas afirmam que a fonte é escalável e pode permitir domínio do ciclo do urânio, desde a extração até o desenvolvimento de reatores.
  • A Abdan destaca que a energia nuclear é limpa, eficiente e oferece fornecimento estável, com potencial de exportar combustível agregado de valor.
  • O Brasil já tem infraestrutura nuclear: a Mine INB opera a única mina, em Caetité, e o enriquecimento ocorre em Resende; Angra 1 e Angra 2 somam 2 GW, enquanto Angra 3 está parada.
  • Há estratégia de transição energética com foco na redução de dependência de combustíveis fósseis; o governo assinou, em Paris, a Declaração para Triplicar a Energia Nuclear até 2050.

O debate sobre energia nuclear ganhou espaço no Brasil, com foco na soberania energética e no domínio do ciclo do urânio. O Nuclear Summit aconteceu nesta segunda-feira (23), na Casa Firjan, no Rio de Janeiro, reunindo especialistas e representantes da indústria.

Participaram da discussão o presidente da Abdan, Celso Cunha, e o professor Júlio César Rodriguez, da UFSM. Eles defenderam a energia nuclear como fonte escalável, capaz de conferir autonomia tecnológica e industrial ao país.

Cunha destacou atributos da energia nuclear como limpa, eficiente e estável, ressaltando que a geopolítica atual reforça a vantagem de reduzir dependência energética. A relação entre clima e resilência foi enfatizada.

Rodriguez reforçou que dominar todo o ciclo nuclear, desde a extração até o desenvolvimento de reatores, coloca o Brasil em patamar tecnológico elevado, com potencial de ganhos industriais significativos.

No âmbito do ciclo do urânio, Mayara Mota, da ENBpar, afirmou que o Brasil busca controle total do processo, com a construção de uma usina de conversão para trazer infraestrutura e tecnologia ao país.

Ela explicou que hoje a conversão ocorre fora do Brasil e que a iniciativa visa transformar o yellowcake em hexafluoreto de urânio, etapa essencial para enriquecimento e transporte do combustível.

O ciclo do urânio permanece sob monopólio estatal. A INB opera a única mina em Caetité (BA) e o enriquecimento ocorre em Resende (RJ). A produção é afirmada como pacífica e sob controle público.

Atualmento, Angra 1 e Angra 2 estão em operação na região de Angra dos Reis (RJ), somando 2 GW de capacidade. Angra 3 está paralisada, com decisão sobre sua continuidade ainda em análise pelo CNPE.

O custo de paralisação de Angra 3 é estimado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões, segundo estudo do BNDES. A obra parada acarreta despesas anuais de quase R$ 1 bilhão para o país.

A energia nuclear é apresentada como componente da transição energética, com o objetivo de reduzir a dependência de combustíveis fósseis e ampliar a participação de fontes estáveis no sistema elétrico.

Regina Fernandes, da EPE, apontou que fontes nucleares devem ganhar espaço na matriz energética de longo prazo, recebendo incentivos por sua confiabilidade e contribuição às metas climáticas.

No dia 10, o governo assinou a Declaração para Triplicar a Energia Nuclear até 2050, durante a II Cúpula sobre Energia Nuclear em Paris, com foco em mobilizar governos e investimento privado.

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