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Marsupial australiano resiste à seca e às espécies invasoras e retorna

Mesmo com seca prolongada e predadores introduzidos, ampurta amplia área de ocorrência, saindo de ameaçada em 2019 para menos risco em 2024

An adult ampurta caught for measurements, reproductive assessment and genetic analysis during field surveys. Photo credit: Dympna Cullen
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  • O ampurta, pequeno marsupial carnívoro da região central da Austrália, voltou a ocupar grande parte de seu habitat após ter sido listado como ameaçado em 1994.
  • A recuperação ocorreu mesmo em meio a longas secas e às pressões de espécies invasoras, como gatos ferais, coelhos e raposas introduzidas pelos colonizadores britânicos.
  • A população ganhou impulso com a redução indireta de predadores causada pela calicivirose (vírus da hemorragia viral de coelhos) e com a capacidade da espécie de explorar condições climáticas extremas.
  • A área potencial de ocorrência do ampurta aumentou de 189.878 quilômetros quadrados para 238.441 quilômetros quadrados entre 2015 e 2021, abrangendo grande parte de seu habitat tradicional.
  • O status evoluiu de endangered para vulnerable em 2019 e, em 2024, para least concern; especialistas destacam a importância de gestão de predadores invasivos em escala para manter essa recuperação.

O ampurta, pequeno marsupial semelhante a um guiné-pig, tem mostrado uma recuperação extraordinária nas regiões áridas da Austrália. Conhecido pela cauda curta que ganha um penacho negro, ele já foi comum em áreas de Central e Western Australia, mas foi listado como ameaçado em 1994. Pesquisas recentes destacam uma reversão desse declínio.

A reocupação de antigos habitats ocorreu mesmo diante de secas prolongadas, um cenário que tende a agravar a redução de fauna. O estudo que descreve a recuperação foi publicado na Biological Conservation, com base em décadas de monitoramento. O trabalho mostra que os ampurtas conseguiram retomar parte de sua antiga área de ocorrência.

Mudanças na dinâmica de predadores e impactos

O ampurta é um micro-predador carnívoro que consome principalmente invertebrados e, às vezes, presas maiores. Espécies introduzidas como gatos ferais, coelhos e raposas de origem europeia contribuíram para o seu declínio, a partir do século XVIII, principalmente nas zonas centrais áridas do país.

A restauração do habitat e a diminuição indireta de predadores, associadas à redução de competidores, ajudaram na expansão da espécie. A partir de 1995, com a disseminação do calicivírus, houve queda na pressão de predadores, favorecendo a recuperação em áreas que somam centenas de milhares de quilômetros quadrados.

Avanços científicos e alcance da recuperação

Entre 2019 e 2024, a área de ocorrência potencial do ampurta cresceu significativamente, chegando a quase 190 mil quilômetros quadrados. De 2015 a 2021, a expansão foi ainda maior, ampliando a área ocupada para cerca de 238 mil quilômetros quadrados, equivalente ao tamanho de vários países.

A pesquisadora Dympna Cullen liderou os trabalhos que mostraram a retomada de áreas do antigo hábitat, com a participação de Reece Pedler em estudos anteriores. As conclusões indicam que o ampurta percorreu uma trajetória de recuperação notável, sem grandes intervenções locais.

Implicações para a conservação e o futuro

Especialistas destacam que estabilizar predadores invasivos em escala regional é essencial para manter a recuperação. A gestão de ameaças como gatos e raposas, aliada a estratégias de controle de coelhos, pode sustentar o retorno de espécies nativas ao seu ecossistema.

O estudo ressalta que mudanças de habitat são fundamentais para recuperar a fauna australiana. Mesmo com um histórico de extinções, a mensagem é de que a conservação de paisagens pode favorecer a resiliência de espécies vulneráveis, desde que haja ações coordenadas de longo prazo.

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